Agenda, Suzuka e polêmica cercam Schummy

Michael Schumacher, da Ferrari, e Kimi Raikkonen, McLaren, atendem nesta quarta-feira a vários compromissos promocionais no Japão. As sete horas médias de diferença entre o horário da Europa e do Japão e a extensa agenda de encontros com a imprensa, promovida pelos patrocinadores das equipes, fazem com que os pilotos cheguem cedo para disputar a última corrida da temporada. Nesta quarta-feira Schumacher tem coletiva, em Tóquio, às 12 horas, organizada pela Shell, e às 14h30 para atender a Bridgestone, ambas parceiras da Ferrari. Ano passado, tão logo terminou as entrevistas viajou de trem-bala para Nagoya, cidade mais próxima de Suzuka servida pela excepcional linha Shinkansen, cuja última versão de sua composição se desloca a 260 km/h. O trajeto Tóquio-Nagoya, cerca de 300 quilômetros, é percorrido em pouco mais de uma hora.Em entrevista divulgada nesta terça-feira pelo site da Ferrari para a imprensa, Schumacher revelou, mais uma vez, sua paixão pelo circuito japonês: "Com a saída de Spa, este ano, Suzuka tornou-se o traçado mais exigente de todos, daí meu prazer em guiar lá." Já um dia antes havia lembrado que enquanto houver possibilidade matemática para Raikkonen ser campeão, não há por que comemorar nada. "Esse esporte é imprevisível." Mas a matemática o favorece amplamente. Para Raikkonen, com 83 pontos, lhe tirar o sexto título mundial, o quarto seguido, terá de vencer a corrida e torcer para Schumacher, 92, que venceu as três últimas edições da prova, além de em 1997 e 1995, não marcar um único ponto. Ser oitavo, por exemplo.Está em aberto também o Campeonato dos Construtores. A Ferrari voltou à liderança nos Estados Unidos, com 147 pontos diante de 144 da Williams. Essa será a principal função de Rubens Barrichello em Suzuka, levar a escuderia italiana ao quinto título seguido, o 13º da sua história.O finlandês Raikkonen, frio como sempre, declarou nesta terça-feira no Japão: "Sei o que tenho de fazer. Estou concentrado nisso e não no que irá fazer Michael Schumacher." Depois, por saber da posição de Olivier Panis, que deu uma entrevista para a revista Autosport inglesa, confirmando que o alemão da Ferrari lhe ultrapassou sob bandeira amarela em Indianápolis, Raikkonen comentou: "Se tivesse vencido nos Estados Unidos as coisas não estariam tão difíceis aqui."Ainda no início da corrida de Indianápolis, um trator retirava da caixa de brita da curva 2 a Ferrari de Rubens Barrichello. Juan Pablo Montoya, da Williams, infantilmente errou ao tocar na Ferrari de Rubinho e colocá-lo para fora. Os comissários sinalizavam a bandeira amarela no fim da reta dos boxes. "Michael fez a coisa errada. Ele só me ultrapassou com tanta facilidade porque tirei o pé do acelerador em razão das bandeiras amarelas", afirmou Panis. "Achei que ele, em seguida, compreenderia o que fez e me deixaria ultrapassá-lo de novo. Não foi o que aconteceu."Não há dúvida de que suas declarações repercutirão quinta-feira quando todos os pilotos estiverem no circuito. Foi a isso que Raikkonen se referia quando falou que se tivesse vencido em Indianápolis não seria tão difícil conquistar o título no Japão. Ele acabou em segundo. Se por uma combinação de resultados, não esperada mas não impossível, for o campeão, será o mais jovem da história, com 23 anos. Completará 24 dia 17. Emerson Fittipaldi, em 1972, com 25 anos e 9 nove meses, tem essa marca. Absolvição - A defesa de Schumacher contra a acusação de Panis será a mesma usada nos Estados Unidos: "Iniciei a ultrapassagem antes do posto que indicava a bandeira amarela, portanto a manobra foi legal." As imagens mostram que naquele ponto a Ferrari tinha cerca de meio carro à frente da Toyota de Panis. Charlie Whiting, o diretor de prova na Fórmula 1, irá explicar quinta-feira o critério em que a FIA se baseou para não punir Schumacher.

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