Alemã tenta o bi no Paris-Dacar

O Dacar, considerado o rali mais perigoso e mais tradicional do mundo, larga este ano de Arras, Norte da França, passando em Madri e chegando na capital do Senegal. Na sexta-feira, estarão alinhados 434 veículos (são 170 motos, 118 carros e 35 caminhões competindo, mais 55 carros de apoio e 56 caminhões de assistência), para a competição que termina no dia 13 depois de passar por Marrocos e Mauritânia, em total de 14 etapas. O destaque da disputa mais uma vez deverá ser entre a alemã Jutta Kleinschmidt, primeira mulher a ganhar um Dacar (na edição passada) e o francês Jean-Louis Schlesser, campeão em 1999 e 2000, "inventor" de bugues especialmente desenvolvidos para as corridas no deserto - e seu ex-marido. Quem certamente entrará nessa briga é o francês Stephane Peterhansel, hexacampeão de moto. Jutta tem 39 anos e é formada em física. Teve de esperar até março deste ano para ter sua conquista homologada, depois de recurso interposto na Federação Internacional de Automobilismo por Schelsser, agora seu arqui-rival. Esta edição do Dacar será curta, com cerca de 9.500 quilômetros - mas não menos difícil, segundo Jutta, que pilota um Mitsubishi. "A passagem pela Mauritânia - com uma ?especial? comprida, de dois dias, exigirá o máximo e poderá definir o vencedor do rali. E eu só tenho um objetivo: voltar a ganhar." Em disputa - Desta vez, a equipe BR Lubrax não será a única a ter motos disputando o Dacar. Além de Joaquim Gouveia, o Juca Bala, e Luiz Mingione, o Careca, haverá três outros brasileiros representando o País: Armando Pires, Luiz Azevedo e Marcelo Quelho. Azevedo e Quelho, ambos de Honda, formam uma dupla - com o primeiro tendo por função apoiar o segundo. Pires terá de enfrentar o deserto africano sozinho com sua KTM, já pensando em disputar todas as etapas do Mundial de Rali Cross Country - como Reinaldo Varella e Alberto Fadigatti fizeram neste ano, representando pela primeira vez o Brasil. Pires, de 27 anos, sofreu um acidente de moto (quebrou a clavícula direita quando treinava para o Rali dos Sertões) que o impediu de disputar a edição passada do rali. Exatos 365 dias depois, em 26 de maio deste ano, nova queda - e fratura na clavícula esquerda. Com nove parafusos consertando o estrago, de novo não pôde disputar o Sertões, que tinha estipulado como "treino" para o deserto africano. Mas resolveu ir assim mesmo. "No hospital eu pensei: este ano o Dacar não vai me escapar. Fui ao fisioterapeuta e ele achou que dava para me recuperar. Em junho eu já estava treinando." O carioca começou a andar de moto aos 9 anos. "Com 13 para 14, entrei em um enduro escondido da minha mãe, que estava viajando. Fiquei em nono lugar, ela viu a medalha e quis ir junto na segunda vez. Aí eu ganhei. Desde então, foi praticamente meu único esporte." Assim como Pires, Luiz Mingione, o Careca, também deixou de disputar o último Dacar por causa de um acidente de moto - mas não foi treinando e sim nas ruas de São Paulo. Para evitar problemas antes deste Dacar, não andou mais de moto na cidade - foi de táxi a uma entrevista coletiva recente. Dupla - Klever Kolberg estará lá, junto com André Azevedo. Será a 15ª participação consecutiva da dupla, que começou com apenas uma moto e recursos próprios e hoje tem uma equipe com duas motos Honda (Careca e Juca Bala), um carro Mitsubishi (Klever e o francês Pascal Larroque) e um caminhão Tatra (André e o checo Tomas Tomecek, além de um mecânico). Com a mudança no regulamento, que dividiu os carros apenas em produção (originais de fábrica) e superprodução (modificados), Klever prevê mais dificuldades. Como seu Mitsubishi Pajero Full está inscrito na superprodução, terá de concorrer com os carros mais fortes: os Mitsubishis e Nissans das equipes oficiais, além do veloz bugue do francês Schlesser. Para compensar, o piloto diz que fez pequenas mudanças em seu carro, como colocar portas de kevlar, mais leves, e outras que não revela. "O Dacar não é o único rali que disputo. E tudo que faço os outros copiam. Não posso ficar dando mingauzinho na boca do bandido. Se os outros escondem, por que vou contar?"

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