Alex Barros: nova equipe, velhas promessas

Há 14 anos na MotoGP, a principal categoria do Mundial de Motovelocidade, o brasileiro Alexandre Barros chegou à maior conquista da carreira: assume o posto de piloto número 1 da equipe Honda, considerada o "Dream Team" das motos - no lugar do tricampeão Valentino Rossi, que foi para a Yamaha. Mas se a equipe é nova, as promessas são antigas. Nesta entrevista, o piloto 33 anos falou de suas expectativas para a temporada 2004.Agência Estado - Quais as perspectivas para este ano?Alexandre Barros - São excelentes. Estou me recuperando de uma cirurgia que fiz no ombro (direito) após a última etapa de 2003. Devo começar a pré-temporada com 70% das condições e espero recuperar os outros 30% até o começo do campeonato. A Honda do Japão me liga constantemente para me dizer como está o desempenho da moto, que está melhorando. Tenho um treino marcado para 11 de fevereiro, em Sepang, na Malásia, com o protótipo novo. Não vejo a hora de subir na moto e constatar o que tem de melhor.AE - Nos anos anteriores também havia uma expectativa de boa colocação no Mundial. Este ano as expectativas são ainda melhores?Alex - Não quero criar expectativas para ninguém. Quero deixar claro o seguinte: não vou prometer resultados. Vou correr, sei que tenho condições boas e vamos deixar o resultado falar por si só que é melhor.AE - E sobre o Valentino Rossi? Quanto tem de gênio e quanto a moto colabora para os resultados dele?Alex - Os dois são muito importantes. Essa é a pergunta que todos estão fazendo, mas vamos deixar a temporada começar para ver o que vai pesar mais: o Rossi ou a moto. Independentemente disso, é um grande piloto. Ele é o cara a ser batido. Mudou de marca, mas continua campeão.AE - Conhecendo a Yamaha, você acha que ele terá dificuldades com a moto?Alex - Será um trabalho mais árduo, porque a moto não está à altura da Honda. Ele terá muito trabalho pela frente. Vai depender não só dele, mas de a Yamaha desenvolver a motocicleta. Elas mudam bastante, mas não sei o que irão mudar nela, porque não a vi. Talvez não mudem muito esteticamente, mas dentro devem mexer em muita coisa.AE - Como foi 2003?Alex - Muito difícil. Doloroso. Não teve uma corrida que consegui fazer sem tomar medicamento. Corri sempre com dores. Além do ombro, tive problemas no joelho, mão, costela... Desde a primeira corrida até a última. Não são lesões que se cicatrizam em um ou dois meses. Isso me limitava em certos movimentos, mas aprendi muito.AE - E o que você aprendeu?Alex - A lidar com situações adversas, além do que estava acostumado. Foi bem diferente. Aprendi a controlar a dor, não desistir em momentos que são muito fáceis de desistir.AE - Até quando você quer correr?Alex - Não sei até quando vou correr e nem o que vou fazer depois. Agora tem meu filho Lucas, que começou a arrumar uma boa para mim, que foi correr de kart. Não penso no futuro ainda e por enquanto quero buscar o título mundial.AE - Estar em uma equipe como essa significa que a chance da sua vida?Alex - É a chance de qualquer piloto. É a chance da minha vida, sem dúvida nenhuma.

Agencia Estado,

13 de janeiro de 2004 | 18h57

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