Alex Barros promete lutar pelo título

O italiano bicampeão mundial Valentino Rossi não vai ter vida fácil na temporada de 2003 da MotoGP, que começa dia 6 de abril, no circuito japonês de Suzuka. A previsão é do brasileiro Alexandre Barros, que trocou neste fim de ano a Honda pela Yamaha - fez um contrato de dois anos. "Com os mesmos motores, o equilíbrio será enorme e muitos pilotos, entre eles eu, lutarão pelo título."Aos 32 anos, Alexandre Barros finalmente chegou aonde queria em sua carreira, depois de 12 temporadas na principal categoria da motovelocidade - nesse período, venceu 6 provas. Com o status de ?primeiro piloto? da Yamaha, ele tem equipamento para brigar pelo título. ?Sempre lutei para ter essa oportunidade e agora chegou o momento. Sinto uma motivação maior do que eu tinha aos 20 anos?, admite.Em entrevista exclusiva à Agência Estado, Alexandre Barros, quarto colocado na temporada de 2002 (quando correu com uma moto menos potente do que os principais rivais), comenta os perigos da profissão, a falta de divulgação da categoria no País e as boas chances de se tornar o primeiro brasileiro campeão mundial de motociclismo.Agência Estado - Valentino Rossi é o Michael Schumacher das motos?Alexandre Barros - Valentino é um piloto espetacular, mas acho que ele teve seu trabalho facilitado pois a Honda saiu na frente no trabalho das motos quatro tempos. A Yamaha só conseguiu ter um bom desempenho no fim da temporada. Valentino correu sozinho. O Ukawa (companheiro de equipe do italiano) não teve o mesmo desempenho.AE - Nas últimas quatro provas você teve a moto quatro tempos e conseguiu duas vitórias, um segundo lugar e um terceiro. É uma garantia de que o equilíbrio será maior?Alexandre Barros - Com certeza. O Valentino não terá vida fácil em 2003. Vamos ver como serão as primeiras provas, mas acho que muita gente vai correr pela vitórias e pelo título.AE - Quem está nessa briga pelo título?Alexandre Barros - Eu, o Valentino, o Max Biaggi, o Carlos Checa...tem bastante gente. Com todo mundo com moto quatro tempos, o equilíbrio vai ser grande. A diferença entre essa moto e a de 500cc é muito grande.AE - O que fez você trocar a Honda pela Yamaha?Alexandre Barros - O fato de ter pela primeira vez em 12 anos ter uma moto feita para mim. Terei o material de ponta da equipe, assim como o espanhol Carlos Checa. Meu companheiro de equipe será o francês Olivier Jacque e o Checa terá como companheiro o italiano Marco Melandi (atual campeão das 250cc).AE - Como foram os primeiros testes com a Yamaha?Alexandre Barros - Estivemos em Valência e Jerez de la Frontera (ambas na Espanha) e foi tudo muito bom. Ainda estamos desenvolvendo a moto. Até peguei chuva nos três dias em Jerez, o que ajudou a sentir a moto na pista molhada. E tudo isso é muito bom, porque estou podendo fazer o que eu quero para desenvolver o equipamento. Também estou entrando agora na equipe, conhecendo o pessoal, mas o clima é bom. Tenho em mãos uma estrutura que nunca tive antes.AE - E isso te enche de confiança?Alexandre Barros - Sem dúvida. Estou podendo trabalhar do jeito que sempre quis. Ainda vamos fazer vários testes em 2003, para começar bem o campeonato. Chegou o momento que eu tanto esperei. Sinto uma motivação maior do que a que eu sentia aos 20 anos. Agora, só tenho que fazer uma coisa: trabalhar muito para que os resultados apareçam.AE - Por que o motociclismo não tem uma grande divulgação no Brasil?Alexandre Barros - Falta um campeão mundial. Veja o que aconteceu no tênis. Depois que o Guga ganhou Roland Garros o esporte teve um grande impulso. Com o motociclismo será a mesma coisa. Mas sem um título fica muito difícil conseguir espaço.AE - Não existem novos pilotos seguindo seu caminho.Alexandre Barros - É verdade. Tem muitos garotos interessados na motovelocidade. Recebo muitos e-mails de gente perguntando como fazer para começar carreira. Mas no Brasil não há uma estrutura montada. Precisava alguma empresa se interessar e, com apoio das fábricas, montar uma categoria no País.AE - É bom para o motociclismo o GP Brasil ser no Rio de Janeiro?Alexandre Barros - Acho que sim. Sou mais conhecido no Rio que em São Paulo, pois a divulgação é maior. É verdade que boa parte do público vem de outros estados, mas o trabalho feito pela organização é muito bom.AE - O Max Biaggi (tetracampeão das 250cc e vice-campeão da MotoGP) disse que tem medo de pilotar em Interlagos por causa do traçado. Qual sua opinião?Alexandre Barros - No início da reta dos boxes não há área de escape e o muro fica muito próximo. Qualquer erro pode ocasionar um acidente grave. Aquilo é uma semi-curva e seria preciso fazer uma reforma, mas atrás do muro tem uma avenida.AE - Por falar em perigo, ter os joelhos como pára-choques em nenhum momento dá medo?Alexandre Barros - Hoje, para mim, é como andar a pé. O motociclismo já foi mais perigoso. A última morte foi em 1989. Meu último acidente foi há 10 anos, quando quebrei a clavícula. Também tive uma problema no pulso esquerdo, em 1991, e precisei colocar um pino. Mas se você tiver medo não sobe na moto.AE - Você sempre gostou de esportes radicais?Alexandre Barros - Sempre. Pulei duas vezes de pára-quedas e adorei. Mas não posso pular de novo, pois assinei um contrato que me proíbe a praticar esportes de risco.

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