Alonso aparece e diz que este ano está difícil ser campeão

Mesmo que vença e conquiste o título, o espanhol não acredita que passará a ser sua maior vitória

Erica Akie, Jornal da Tarde

18 de outubro de 2007 | 18h19

Até começar a entrevista coletiva oficial da FIA nesta quinta-feira, ninguém tinha visto Fernando Alonso. O bicampeão mundial chegou para a entrevista meio cabisbaixo. Ficou sozinho em um canto da sala de entrevistas enquanto Felipe Massa e Lewis Hamilton batiam papo.  Diferentemente do que aconteceu em 2005 e 2006, quando chegou ao Brasil favoritíssimo à conquista dos títulos, o espanhol admitiu que desta vez a parada será bem mais dura. "O que muda é que nos outros dois anos eu estava na frente, e agora estou atrás e por isso é mais difícil. O que sei é que preciso vencer e ainda dependo de uma combinação de resultados", analisou friamente. "Às vezes você precisa ser mais conservador, às vezes tem de arriscar mais e só vamos saber disso depois. Há cinco ou seis corridas eu só me concentrava no campeonato, mas agora, na última prova, o foco está no título. Eu não penso em só vencer a corrida, mas em quantos pontos tenho de somar para ser o campeão." Mesmo que vença e conquiste o título, Alonso não acredita que passará a ser sua maior vitória na Fórmula 1. "É difícil dizer isso porque não dá para voltar no tempo e me lembrar do que eu sentia no ano passado antes da corrida. Não foi fácil no final da temporada passada ver Michael Schumacher pontuando nas últimas etapas e se aproximando", disse. De qualquer forma, a corrida de São Paulo, a última do calendário, já se tornou especial para Alonso. "Foi aqui que conquistei meus dois títulos, é um circuito que me traz sorte. Tenho boas memórias do autódromo, do hotel, da área dos paddocks. Não tenho como não gostar daqui. E no Brasil todo mundo parece apaixonado por Fórmula 1. Você vê isso nas ruas, nos carros...", elogiou.  O clima com o companheiro de equipe e favorito à conquista do título, Lewis Hamilton, pareceu estar mais leve, ao menos durante a entrevista. Quando questionado sobre serem quase inimigos e se isso seria perda de tempo, Alonso foi irônico. "Não entendi a pergunta", disse duas vezes, claramente dando a entender que não queria responder.  Sobre o relacionamento com o companheiro de equipe, ressaltou: "Estamos bem como sempre estivemos. Fora da pista temos personalidades diferentes, e a nossa briga é dentro dela. Falaram muitas coisas sobre nós que não são verdades. Somos pilotos de Fórmula 1 e gostamos de competição." Sobre a possibilidade de a FIA colocar um fiscal no boxe da McLaren para garantir que Alonso e Hamilton tenham um tratamento igual durante a corrida - a pedido da Federação Espanhola - o bicampeão declarou ser contra: "Eu não concordo com essa decisão, mas isso não depende de nós. Se decidirem que farão isso, tudo bem, mas não precisamos de ninguém nos boxes."

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