Alonso começa a dar pinta de campeão

A Fórmula 1 já assistiu aesse filme antes: um único piloto e uma única equipe vencendotudo. E não faz muito. A diferença para esta temporada é quemudaram os personagens. Saiu Michael Schumacher e entrou em cenao jovem Fernando Alonso e em vez da Ferrari, seutime é a Renault. Com a vitória irretocável deste domingo no GPde Bahrein, Alonso conquistou 26 pontos dos 30 possíveis até aqui. Restam ainda 16 provas para o encerramento do campeonato mas Alonso já começa a dar sinais de que pode quebrar a sériede cinco títulos seguidos de Michael Schumacher e a Renault deseis, na sequência também, da Ferrari. Já está virando rotina. E como tudo ainda é novidade naFórmula 1, novas cores no pódio, as vitórias de Alonso e daRenault são festejadas por quase todos. Pelo autor,principalmente. A ponto de esnobar o heptacampeão do mundo,Michael Schumacher, que o seguiu de perto nas 12 primeirasvoltas da corrida disputada no circuito de Sakhir, sobtemperatura de 42 graus. "Mesmo que eventualmente ele me ultrapassasse nalargada, não estava preocupado. Sabia que estava com menosgasolina de nós e seus pneus não resistiriam à prova toda." Coma estréia da nova Ferrari F2005 e por ter ainda os pneusBridgestone em bom estado, Schumacher acompanhou o ritmo dolíder, Alonso, no princípio. O alemão abandonou na 12.ª voltacom pane hidráulica. Mais uma vez a disputa entre Michelin e Bridgestone foivencida por larga margem pela marca francesa. Os oito pilotosque marcaram pontos no GP de Bahrein competiam com Michelin.Jarno Trulli, da Toyota, classificou-se novamente em segundo,repetindo com Alonso a dupla vencedora do GP da Malásia. "Nocomeço cheguei a pensar que poderia atacar Alonso, mas logo vique a Renault era mais rápida que a minha Toyota e passei aadministrar o segundo lugar", falou o italiano, emocionado coma morte do Papa. O finlandês Kimi Raikkonen, da McLaren, completou opódio, em terceiro. "Se melhorarmos nossa performance nasclassificações, problema que nos acompanha desde o ano passado,poderemos lutar pelo primeiro lugar. Nosso ritmo de corrida étão bom quanto da Renault", afirmou o finlandês, que largou emnono. "O campeonato começou hoje para mim", afirmou. Mesmo que não faça ponto algum na próxima etapa doMundial, dia 24 em Ímola, e Trulli vença a corrida, Alonso seapresentará para o GP da Espanha, dia 8 de maio, como líder docampeonato. "Será uma loucura", previu o espanhol que járeclama dos fãs, pela falta de privacidade. Com o resultado deste domingo - centésima vitória de ummotor Renault na Fórmula 1 -, Alonso soma agora 26 pontos.Trulli tem 16. Já Schumacher, apenas 2. Está começando a ficardifícil para o alemão.Principalmente porque a Bridgestone, que tanto já superou aMichelin, desta vez não está permitindo à Ferrari ser tão velozcomo os concorrentes. Entre os construtores, competição que a Ferrari dominadesde 1999, a situação é ainda pior: a Renault lidera com 36pontos seguida da surpreendente Toyota, 25. A Ferrari apareceapenas em sexto, com 10. O GP de Bahrein não teve a luta esperada pela primeiracolocação como os treinos livres e a primeira classificaçãosugeriam, mas do terceiro lugar para trás as disputas foramintensas, o que fez da terceira etapa da temporada a maisemocionante até aqui. Ralf Schumacher, da Toyota, apesar dosseus tradicionais erros, classificou-se em quarto e outroespanhol, Pedro de la Rosa, substituto de Juan Pablo Montoya, naMcLaren, deu um show, ao obter o quinto lugar, depois de largarem oitavo.Correu com a faca entre os dentes, o que nem sempre faz Montoya. "Foi a primeira vez que tive um carro de verdade naFórmula 1. Em vez de me deixar passar pelos outros, eu osultrapassei." Teve lutas sensacionais, como com Mark Webber, daWilliams, sexto colocado. Rubens Barrichello, com a nova Ferrari, se superou. Nãotreinou praticamente, largou em último, estava em quinto, atéseus pneus acabarem. Foi nono, reclamando bastante dos pneus. Felipe Massa, da Sauber, realizou sua melhor prova esteano e conseguiu bom sétimo lugar. Somou dois pontos. A Fórmula 1se prepara, agora, para a fase européia da temporada. "A doscircuitos mais tradicionais, menos quentes, onde quase todostreinam. Mesmo assim aposto que continuaremossupercompetitivos", afirmou ontem Alonso.

Agencia Estado,

03 de abril de 2005 | 18h13

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.