Alonso e Massa se dizem 'felizes' com a disputa dentro da Ferrari

Resta saber qual será o comportamento dos dois amanhã ao longo das 56 voltas no seletivo e exigente traçado de 5.5.543 metros

LIVIO ORICCHIO / ENVIADO ESPECIAL, O Estado de S. Paulo

23 de março de 2013 | 10h10

KUALA LUMPUR - A pergunta foi feita em alto, bom som e em público, pelo Estado a Fernando Alonso, depois da sessão que definiu o grid do GP da Malásia, em Sepang: “Você vive agora uma situação nova na Ferrari, um companheiro de equipe mais veloz no treino de classificação. Isso o estimula mais?”

Sebastian Vettel, da Red Bull, estabeleceu hoje a pole position da segunda etapa do Mundial e o vencedor em Melbourne, domingo passado, Kimi Raikkonen, da Lotus, largará apenas em décimo, amanhã. A dupla da Ferrari, contudo, mostrou estar forte como na Austrália. Felipe Massa obteve ótimo segundo tempo e Alonso, o terceiro.

Como em Austin e Interlagos, as duas provas finais de 2012, e no circuito Albert Park, em Melbourne, sábado passado, Massa foi hoje também mais rápido que Alonso na sessão que definiu o grid no circuito de Sepang. Portanto, a quarta vez seguida que Massa vence a disputa com o companheiro de Ferrari.

A maioria na Fórmula 1 está gostando dessa nova experiência de Alonso, embora na temporada de 2007, na McLaren, tenha sentido na pele o mesmo, com o competente Lewis Hamilton. “Tenho 27 anos de vivência no automobilismo”, disse o asturiano. Como está com 31 anos, o espanhol compete, então, desde os 4 anos de idade, quando passou a usar o kart que o pai comprou para a filha mais velha, irmã de Alonso. “Não é a primeira vez que corremos próximos um do outro. Para vocês não aparecia por causa dos resultados, mas Felipe sempre se mostrou rápido desses três anos juntos (na Ferrari)”.

Deu detalhes da disputa com Massa: “Uma hora ele tinha problemas com o carro, má sorte, alguns incidentes, e este ano estamos mais perto”. O espanhol diz ser uma boa notícia. “É o melhor que podia ocorrer para a equipe porque precisamos da competição entre os pilotos, precisamos compartilhar as informações obtidas. Agora, todos os dados registrados nos treinos livres, classificação e corrida serão úteis aos dois para nós mesmos melhorarmos. Um vai levar o outro ao limite, o que é ótimo para a Ferrari.”

Na sequência, foi solicitado para Massa comentar essa nova realidade, oposta à experimentada por ele nos três anos anteriores com Alonso no time italiano. “Eu me sinto muito feliz. Piloto automaticamente. Gosto desse carro (F138), muito mais que o de 2012. Sei bem mais como acertá-lo. Quando você tenta fazer algo em que não se sente confortável com você mesmo, não consegue dar uma volta com perfeição.”

Como para Alonso, passar a lutar com pelas primeiras colocações é uma boa notícia para a Ferrari. “Ter os dois pilotos lutando lá na frente é ímportante para a equipe e muito bom para mim também.”

Resta saber qual será o comportamento dos dois amanhã ao longo das 56 voltas no seletivo e exigente traçado de 5.5.543 metros. Massa confia que o modelo F138 seja competitivo como na Austrália, quando só não chegou ao pódio, ficou em quarto, porque a estratégia adotada para Alonso foi mais eficiente, levando-o do quarto para o segundo lugar. “Mas aqui não temos muitas referências sobre como os pneus vão se comportar. Nos treinos livres, como a maioria, também não obtivemos maiores informações”, explicou Massa.

A Pirelli levou para a Malásia os pneus médios e os duros. O calor de 32 graus somado às características do traçado, com curvas rápidas e longas, submete os pneus a níveis elevados de estresse. “Vamos ter muitas paradas, isso com certeza”, prevê Massa.

Já Alonso não tem a dúvida de Massa. “Fomos velozes aqui, como na Austrália, na pista seca e molhada. Não vejo razão para não sermos ao longo da corrida.” E afirmou mais: “Largando em terceiro, o que não acontecia desde o GP da Alemanha do ano passado, uma colocação no pódio ou mesmo a vitória estão bem mais nas nossas mãos”.

Não deve jogar tudo na largada, adiantou o espanhol. “Vimos em Melbourne, Kimi largou em sétimo e venceu. Para ganhar hoje na Fórmula 1 não é imprescindível largar na frente. Haverá na prova muitos momentos em que teremos de ser muito precisos, decidir certo, para avançar na classificação, principalmente se chover.”

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