Alonso realiza um sonho de criança

Diante de 65 mil pessoas, e em São Paulo, Fernando Alonso realizou, neste domingo, seu sonho de criança. Com a conquista do terceiro lugar do GP do Brasil, tornou-se o mais jovem campeão da Fórmula 1, com 24 anos, um mês e 28 dias. Pela primeira vez, a Espanha tem um campeão mundial na categoria mais importante do automobilismo. ?Agora tenho de achar outros objetivos porque este já foi alcançado?, disse. Quando saiu de seu Renault, os companheiros de equipe e um grupo de espanhóis cantavam para o ?Príncipe das Astúrias?, que na festa do pódio bebeu champanhe na própria taça de terceiro colocado. Comemorou aos berros a conquista e, finalmente, sorriu após passar toda a manhã concentrado, com uma feição sisuda. ?Só acreditei que era campeão após cruzar a linha de chegada. Estava muito estressado, foi uma corrida difícil. Apenas quando cruzei a linha que vi que o trabalho estava acabado?, disse. Antes da prova, no desfile dos pilotos, isolou-se dos outros pilotos e mal saudou o público. ?Foi uma longa corrida. Claro que pensei no título desde a primeira volta, mas sabia que as McLaren de Kimi e Montoya estavam melhores?. Apesar disso, disse que dormiu bem na noite anterior à corrida, tomou o café da manhã como todos os dias e foi para o autódromo como se fosse mais uma corrida. ?Já tinha em mente que ainda teríamos outras duas provas pela frente. Agora vou correr para me divertir?. O status de mais jovem campeão da Fórmula 1 não pareceu significar muito para o espanhol. ?Corro desde os três anos e acho que com esse título, conquistado após 21 anos de experiência, demonstrei que alcancei a maturidade. A Fórmula 1 é o máximo onde poderia chegar. Foi um dia muito importante para mim, que agora preciso traçar outros objetivos?. À noite, a discreta festa para o piloto seria realizada na Lótus, uma das discotecas mais badaladas de São Paulo. Os mecânicos seguiriam para a Love Story, outra boate. A festa na Espanha? ?Só vou para lá depois da corrida da China (a última do calendário, dia 16 de outubro)?. O campeão mora em Oxford, na Inglaterra. Na entrevista, dedicou seu primeiro título a poucas pessoas. ?À minha família, aos meus patrocinadores e aos meus verdadeiros amigos, que, infelizmente, são poucos. Venho de uma terra que não tem tradição na Fórmula 1, e se cheguei aqui foi graças aos meus patrocinadores e amigos. São, no máximo, três ou quatro pessoas que acreditaram em mim?. E admitiu que vencer no Brasil não teve nada de muito especial. ?Ganhar seria especial em qualquer lugar. Vi que no Brasil as pessoas são mais emotivas, mas não faz diferença ter sido campeão aqui?, falou. Conquistar um campeonato após a ?era Michael Schumacher?, dono de sete títulos, fez com que a comemoração de Alonso fosse ainda maior. ?Ganhar de Michael é mais ou menos como bater Lance Armstrong no ciclismo?, comparou. E ainda fez questão de elogiar seu principal rival na temporada, Kimi Raikkonen. ?Tê-lo na disputa fez com que o título fosse ainda mais importante. A McLaren está com o melhor carro, e quando não cometem erros são imbatíveis?. Quando deixou a sala de entrevistas, correu para o boxe da Renault, onde foi recebido por todos os companheiros. A equipe atirou Alonso para o alto e brindou com champanhe ao som de ?Aquarela do Brasil? e ?Fernando?, da banda sueca Abba. O próximo passo do espanhol e de seu companheiro de equipe, Giancarlo Fisichella, é ajudar a escuderia a conquistar o título de construtores ? com a dobradinha, a McLaren chegou a 164 pontos, seguida de Renault, com 162, e Ferrari, que tem 98 pontos. Para a próxima temporada, porém, o campeão preferiu não se empolgar muito e negou que esteja começando a ?era Alonso?. ?Ninguém esperava que fosse acontecer o que aconteceu com a Ferrari, que até ano passado veio bastante forte. Espero que nosso time continue bem, mas nunca se sabe. As coisas podem mudar?.

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