Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Alonso se despede da pista onde comemorou dois títulos mundiais

Espanhol da McLaren vai deixar a Fórmula 1 no fim do ano e se apresenta pela última vez na carreira

Wilson Baldini Jr., O Estado de S. Paulo

11 de novembro de 2018 | 05h00

Em seus 47 anos de existência, o GP do Brasil já teve momentos históricos. Neste domingo, o Autódromo de Interlagos vai registrar mais uma cena inesquecível para os fãs do automobilismo: a última corrida no Brasil do espanhol Fernando Alonso, ganhador de dois títulos mundiais na pista paulista.

"O GP do Brasil sempre estará na minha memória. Foi aqui que conquistei meus dois títulos mundiais, em 2005 e 2006. Perdi, lutei e somei emoções inesquecíveis", comentou o piloto, de 37 anos, apontado por muitos especialistas da F-1 como o melhor de sua geração.

E as homenagens se somam para Alonso em Interlagos. Neste ano, o espanhol ganhou um presente inusitado no Brasil. Na quinta, o piloto da McLaren se deparou no autódromo de Interlagos com uma cadeira de sol cheia de assinaturas, recados e mensagens de colegas lhe desejando boa sorte na despedida da categoria. O objeto não foi escolhido por acaso: a cadeira é uma referência a um dos momentos mais curiosos da carreira do bicampeão do mundo.

No GP do Brasil de 2015, Alonso se cansou das quebras da McLaren e resolveu debochar após um problema no treino livre. Ele ficou parado no meio do circuito, tomou uma cadeira emprestada dos fiscais de pista e se acomodou no gramado para tomar sol. Sua imagem de olhos fechados e curtindo o calor da tarde ensolarada virou meme e até hoje é lembrada como um dos momentos mais engraçados da categoria.

Como esta temporada marca a despedida de Alonso da Fórmula 1, antigos colegas de grid decidiram homenageá-lo deixando recados em uma espreguiçadeira posicionada no paddock. Um dos pilotos a assinar o assento, feito de tecido, foi o alemão Sebastian Vettel, que por anos foi rival de Alonso na pista. "Mantenha com você os melhores momentos da Fórmula 1."

A organização do GP do Brasil também planeja fazer uma homenagem especial para o piloto, mas devido ao cerimonial concorrido, preferiu não revelar qual será o conteúdo da premiação. "Os torcedores brasileiros são sempre super apaixonados, e está claro que Interlagos é uma daquelas pistas lendárias tão famosas no mundo do automobilismo", comentou Alonso. "Grandes campeões pilotaram neste circuito, e com os carros deste ano, será ainda mais rápido e excitante do que antes."

Alonso disputou 16 corridas no Brasil. Apesar dos dois títulos, nunca venceu em Interlagos. Foi segundo colocado três vezes (2006, 2008 e 2012) e em cinco, obteve o terceiro lugar (2003, 2005, 2007, 2010 e 2013). "Interlagos é uma pista em que grandes corridas aconteceram e é sempre um pouco imprevisível", concluiu.

Companheiro de Alonso na Ferrari por quatro anos (2010 a 2013), Felipe Massa rasga elogios ao espanhol. "Fernando Alonso é um piloto gigante. Na minha opinião, está entre os seis melhores da história do automobilismo, da Fórmula 1."

Outro brasileiro, Gil de Ferran, campeão da Fórmula Indy em 2000 e 2001, e atual diretor esportivo da McLaren, também trabalha diretamente com Alonso. "Ele é o melhor piloto que eu vi em ação", disse ao Estado.

 

 

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