Alonso vence o GP da China e embola a classificação do Mundial de pilotos

Agora o tricampeão do mundo, Vettel, lidera com 52 pontos, seguido por Raikkonen, 49, Alonso, 43, e Hamilton, 40

LIVIO ORICCHIO - ENVIADO ESPECIAL, O Estado de S. Paulo

14 de abril de 2013 | 09h14

XANGAI, CHINA - Quando o que mais se exige numa corrida é um piloto com visão global da competição, capaz avaliar com precisão como se posicionar para cumprir à risca a estratégia e vencer, Fernando Alonso se sobressai em relação à concorrência. Foi principalmente essa característica do notável piloto espanhol associada à eficiência do modelo F138 da Ferrari que o levou a vencer, neste domingo, o GP da China, no Autódromo Internacional de Xangai.

Como Kimi Raikkonen, vencedor na abertura do Mundial, na Austrália, ficou em segundo, mesmo com a frente da Lotus danificada, Lewis Hamilton, da Mercedes, o pole position, em terceiro, e Sebastian Vettel, da Red Bull, acabou em quarto, os quatro lideram o campeonato separados por pequena margem de pontos. O tricampeão do mundo, Vettel, lidera com 52 pontos, seguido por Raikkonen, 49, Alonso, 43, e Hamilton, 40. Não é por acaso que estão lá: há um consenso na própria Fórmula 1 que formam o grupo dos mais completos em atividade.

Felipe Massa, companheiro de Alonso, se insinuou no início da prova, depois de largar brilhantemente, como Alonso, ao pular da quinta colocação no grid para terceiro. Tentou ultrapassar o espanhol na segunda volta. Mas no fim Massa chegou apenas em sexto, 40 segundos atrás de Alonso. Leia na outra reportagem a explicação do piloto. Ele é o quinto no Mundial, com 30 pontos.

“Vencer depois de oito ou nove corridas me deixou muito feliz”, disse Alonso. A última vitória havia sido no GP da Alemanha do ano passado, em julho. Comemorou muito a conquista, sinalizando no pódio a todo instante para a namorada, a russa Dasha Kapustina, posicionada junto dos integrantes da Ferrari. “O carro esteve quase perfeito desde o início e foi importante ter ultrapassado Kimi logo na largada e Lewis antes do primeiro pit stop”, explicou.

A Pirelli levou para a China os pneus macios e os médios. Os macios apresentavam elevada degradação, tanto que até a sétima volta os sete primeiros no grid, que largaram com eles, realizaram o primeiro pit stop. “Com os pneus médios nossa degradação foi menor que a de nossos adversários. Pude manter ótimo ritmo e ainda tinha uma reserva se fosse preciso”, disse Alonso.

“Essa vitória vem em ótima hora, estávamos sob pressão, pois abandonamos a última corrida (na Malásia). Em três etapas fomos segundo em Melbourne e ganhamos aqui, é um início de temporada positivo. Vamos levar para Bahrein, já no próximo fim de semana, esse mesma gana de vencer, onde acho possível também.” Alonso havia vencido o GP da China em 2005, pela Renault.

Kimi evitou criticar Paul Di Resta, da Force India, pelo acidente que quase o tira da prova. Foi ainda volta 16, de um total de 56, no circuito de 5.451 metros. “Que diabos eles está fazendo”, gritou no rádio da Lotus. Na freada da curva 6 o finlandês tentou a ultrapassagem no escocês. “Ele deveria ter deixado espaço e não o fez. Para não bater fui para cima da zebra, freei e nem assim pude evitar a batida.”

Raikkonen se surpreendeu com o fato de poder prosseguir na corrida. “Eu queria substituir o bico, mas o time o analisou rapidamente no pit stop que fiz a seguir (cinco voltas mais tarde) e concluiu que eu poderia continuar. O carro saía de frente, mas não perdemos muito.” Recebeu a bandeirada 10 segundos atrás de Alonso.

Para quem larga na pole position o terceiro lugar pode ser um pouco frustrante. Foi o que aconteceu com Hamilton. “Ainda não estamos no nível de Red Bull, Ferrari e Lotus”, afirmou o inglês, mas não insatisfeito demais. “Hoje faltou performance e nossos pneus foram os primeiros a acabar.” Tanto o inglês campeão do mundo de 2008 quanto seu companheiro, Nico Rosberg, que abandonou com problemas de suspensão, fizeram o primeiro pit stop ainda na quinta volta.

“De qualquer forma, o segundo pódio seguido representa um ótimo resultado para nossa equipe”, comentou Hamilton. Na Malásia também havia sido terceiro e na Austrália, quinto.

DUAS CURVAS

“Se tivesse duas curvas a mais poderia celebrar o pódio”, garante, com razão, Vettel. Com os pneus macios, colocados na 51.ª volta, o alemão voava na pista. “A equipe me avisou que havia grande diferença para Lewis, mas vi que meu ritmo em relação ao dele era muito melhor (três segundos mais rápido).

Vettel recebeu a bandeirada 203 milésimos atrás de Hamilton. O piloto da Mercedes atribuiu ao tráfego a manutenção do terceiro lugar e o pódio. “Tive sorte”, afirmou Hamilton. Ao ultrapassar Charles Pic, da Marussia, Vettel perdeu milésimo preciosos.

Curiosamente a Red Bull não apresentou, na China, a mesma velocidade em um volta lançada da Mercedes e Ferrari, o que explica em boa parte o nono lugar no grid de Vettel. Ele desistiu de completar volta na classificação o que o permitiu escolher o pneu para começar a corrida. Com os médios, só foi fazer o primeiro pit stop na 14.ª volta. “Nossa estratégia de apenas dois pit stops funcionou.” De nono avançou para o quarto lugar. Alonso, Raikkonen e Hamilton fizeram três paradas.

A McLaren disputou a melhor corrida da temporada até agora. “Demos, com certeza, um passo à frente”, falou Jenson Button, quinto colocado. O modelo MP4/28-Mercedes tinha importantes modificações no GP da China. Button não marcou pontos na Malásia e foi nono na Austrália. Sergio Perez, o parceiro, ficou em 11.º. A escuderia inglesa fez apenas dois pit stops com os dois pilotos, como Vettel.

A próxima etapa do campeonato, quarta do calendário, será já domingo, o GP de Bahrein, no circuito de Sakhir, sob temperatura bastante elevada.

Confira a classificação final do GP da China:

1.º - Fernando Alonso (ESP/Ferrari), em 1h36min26s945

2.º - Kimi Raikkonen (FIN/Lotus)

3.º - Lewis Hamilton (ING/Mercedes)

4.º - Sebastian Vettel (ALE/Red Bull)

5.º - Jenson Button (ING/McLaren)

6.º - Felipe Massa (BRA/Ferrari)

7.º - Daniel Ricciardo (AUS/Toro Rosso)

8.º - Paul Di Resta (ESC/Force India)

9.º - Romain Grosjean (FRA/Lotus)

10.º - Nico Hulkenberg (ALE/Sauber)

11.º - Sergio Perez (MEX/McLaren)

12.º - Jean-Eric Vergne (FRA/Toro Rosso)

13.º - Pastor Maldonado (VEN/Williams)

14.º - Valtteri Bottas (FIN/Williams)

15.º - Jules Bianchi (FRA/Marussia)

16.º - Charles Pic (FRA/Caterham)

17.º - Max Chilton (GBR/Marussia)

18.º - Giedo van der Garde (HOL/Caterham)

Não completaram a prova:

Nico Rosberg (ALE/Mercedes)

Mark Webber (AUS/Red Bull)

Adrian Sutil (ALE/Force India)

Esteban Gutierrez (MEX/Sauber) 

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