Ameaça de racha assombra Fórmula 1

Na pista, a Fórmula 1 vive uma crise de credibilidade, em especial depois do ocorrido na Áustria. Fora dela, a sombra de novas falências, a exemplo da da Prost, assusta equipes como Jordan e Arrows. Como se não bastasse, a notícia veiculada pelo ?The Times?, sexta-feira, de que McLaren, Williams, Jordan, BAR e Arrows criaram uma empresa para tentar adquirir os direitos comerciais da categoria denota um tremendo racha dentro dessas próprias organizações. A Mercedes é a maior sócia da McLaren, com 40% da escuderia. Os outros 60% pertencem a Ron Dennis, 30%, e a Mansour Ojjeh, 30%. A Mercedes juntou-se às demais montadoras que investem na F-1 para criar uma associação que defenda seus interesses, entre eles a compra de parte da Slec, a holding que gerencia as negociações dos direitos da F-1. De repente, os outros sócios da Mercedes na McLaren, Dennis e Ojjeh, desejam a mesma coisa. Hoje, os 75% da Slec que perteciam a Leo Kirch, falido, estão nas mãos dos bancos que financiaram a aquisição ? JP Morgan Chase e Lehman Brothers, dos Estados Unidos, e Bayerisches Landbank, da Alemanha. Os dirigentes da McLaren, Williams, Jordan, BAR e Arrows, todas equipes inglesas, criaram a empresa GPT Ltd. e contrataram Neil Johnson para cuidar de suas pretensões. Em outras palavras, enquanto de um lado Dennis e Ojjeh tentam comprar uma parcela da Slec, a Mercedes, sócia deles na McLaren, tenta fazer o mesmo como construtora. Essa cisão difícil de ser compreendida só ocorre na McLaren, já que as demais escuderias da GPT não têm montadoras como sócias, embora a BMW, parceira da Williams como fornecedora de motor e patrocinadora, também tenha interesse na Slec, assim como a Ford, fornecedora de motor da Arrows. Ferrari (Fiat), Renault, Jaguar (marca da Ford) e Toyota, montadoras com times próprios na competição, negociam por seu lado com os bancos credores. Elas rejeitaram a oferta de aquisição de 30% da Slec, oferecida pelos bancos ? querem participação maior. Os outros 25 % da Slec são de Bernie Ecclestone. Outra função da GTP é exercer maior influência no repasse das verbas criadas com a venda dos direitos de TV, atividade da Slec. A maior bronca das montadoras e de seus sócios com a atual situação refere-se à divisão do dinheiro. Luca di Montezemolo, presidente da Ferrari, afirmou várias vezes que não faz sentido Ecclestone e seus sócios ficarem com 53% do bolo e todos os times da F-1 terem de se contentar com 47%. Se mudar o status quo já estava difícil, com essa cisão explícita as coisas se complicarão ainda mais.

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