Amizade com Ecclestone ajudou Mosley

O advogado e físico inglês Max Mosley, 61 anos, permanecerá mais quatro anos na presidência da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), definiu nesta sexta-feira, em Colônia, na Alemanha, o Conselho Mundial da entidade. Em 1991, quando o polêmico francês Jean-Marie Balestre tinha certeza de que permaneceria por mais quatro anos à frente da então Fisa, braço esportivo da FIA, o candidato lançado por Bernie Ecclestone surpreendeu a todos e acabou vencendo a eleição, onde votam, fundamentalmente, dirigentes das federações ligadas à FIA. Esse candidato era Max Mosley, velho amigo de Ecclestone.Em 1969, depois de abandonar as pistas, onde chegou à Fórmula 2, Max fundou uma das mais tradicionais fábricas de carros de competição, a March. Um ano depois Ecclestone adquiriu a Brabham, time de Fórmula 1. Enquanto Balestre manteve-se como líder da Fisa, a entidade era apenas a reguladora da atividade automobilística no mundo.De um lado existia Ecclestone, defendendo os interesses da Formula One Constructors Association (Foca), que reunia a maioria das equipes de Fórmula 1, e do outro a Fisa. A entidade máxima do automobilismo era um impedimento, muitas vezes, para as idéias arrojadas de Ecclestone para promover o Mundial. Foi por isso que ele lançou Mosley como candidato à presidência da Fisa, logo em seguida extinta pelo inglês, para assumir apenas a designação FIA. Ecclestone viria a criar também a Formula One Management (FOM) que acabou por encampar a Foca.Hoje, FIA e FOM defendem, no fundo, os mesmos interesses. O universo das competições de automóvel no mundo, fora dos Estados Unidos, é controlado por Mosley e Ecclestone. Não se pode negar que do ponto de vista promocional as competições ligadas diretamente aos dois, como a Fórmula 1, tiveram crescimento quase exponencial. Mas ao mesmo tempo também não há dúvidas de que não há muita isenção nos julgamentos de casos pendentes. O que passou a valer foi puramente o interesse financeiro.Talvez o melhor exemplo dessa falta de ética e até de respeito às regras do jogo tenha sido a validade da vitória da Ferrari no GP da Malásia de 1999. Tanto Michael Schumacher quanto Eddie Irvine haviam sido desclassificados por causa de defletores feitos fora do regulamento. Uma semana mais tarde, Mosley veio a público para explicar que os comissários não levaram em conta a "tolerância de 5 centímetros admitidos pelo regulamento." Ninguém, a não ser Mosley e Ecclestone, entendeu nada! Eles tinham interesse em ver a Ferrari campeã, o que não conseguiram, ao menos naquela temporada. Com toda certeza, fosse a Fisa a julgar o caso, o rumo teria sido outro. Com todas as suas loucuras, não se pode deixar de admitir que o francês separava bem as coisas.Mosley será presidente da FIA por mais quatro anos. Em 2004 não poderá mais ser reeleito, mesmo que seja por unanimidade, como nesta sexta-feira. Max é filho de Oswald Mosley, líder fascista inglês, e da escritora Diana Mitford. Cresceu na Inglaterra, França e Alemanha e domina, com fluência, cinco idiomas.

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