Ana Flávia, a Penelope do motocross

Quebrando as barreiras do preconceito em relação às mulheres ? de que não sabem dirigir... e muito menos pilotar uma moto ?, Ana Flávia Sgobin, de 23 anos, vem se destacando nos campeonatos de motocross entre os marmanjos. Sem uma categoria feminina de motocross no País, Ana Flávia disputa de igual para igual com os homens. Garante que não tem nenhuma ?lambugem?. ?É impossível negar a diferença da força muscular de um homem e de uma mulher. Por isso, quando estou na pista, tento não lembrar disso. Mas sei que é bom competir com eles, pois me ajuda a evoluir.?Para minimizar a diferença física, a atleta intensifica os treinamentos e as técnicas de pilotagem. ?Muitos homens não admitem perder posições para mim. Primeiro, porque sou mulher; segundo, porque estou começando no esporte. A maioria dos pilotos tem pelo menos dez anos de motocross. A sorte é que alguns me incentivam?, conta Ana Flávia.O primeiro contato com o motocross foi aos 9 anos ? seu irmão Adriano competia (de 1989/97). Longe das pistas, Adriano mora há três anos no Japão. Como naquela época sua família não tinha condições de investir nas duas carreiras, ela partiu para o bicicross, modalidade em que foi campeã mundial e praticou até 2001.Com apoio de grandes nomes do esporte, como o piloto Eduardo Saçaki, Júlio Pereira (mecânico da equipe Suzuki do Brasil) e a ajuda de patrocínios, conseguiu uma moto. Mas, logo no estréia da carreira, em 2002, Ana Flávia sofreu um acidente. ?Foi no Campeonato Paulista, quando ultrapassei um piloto. Ele ficou bravo e propositadamente bateu na minha moto. Com a queda, fraturei a mão.? Ana teve de ficar afastada por sete meses das pistas, adiando o sonho de se aperfeiçoar no motocross. Mas em fevereiro, com o patrocínio da Schincariol, voltou a se destacar nas pistas de Arena Cross (competição em circuito fechado).Em sua curta carreira (12 meses), já recebeu 12 vezes o ?Troféu Destaque? ? este ano, em edição especial, como umas das melhores atletas dos últimos 25 anos de sua cidade: Americana. ?Foi muito bom ser eleita e estar entre a nata do esporte da minha cidade. Com certeza me deu ânimo para me dedicar cada vez mais.?Os planos da piloto é disputar o circuito internacional feminino de motocross. E trabalha para isso. Já retomou os treinos para a temporada e no próximo fim de semana participa da primeira etapa da Copa SBT Arena Cross, em Bertioga. Tem como objetivo correr entre os 20 primeiros colocados no Brasileiro e entre os 15 melhores no Paulista. ?Sei que não vai ser fácil, mas estou bem animada com meu desempenho.?Quando Ana Flávia não está no meio do barro correndo com os homens, cursa o último semestre da faculdade de Direito.

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