Ana Lima entra para história das motos

A paulista Ana Lima, de 24 anos, entrou para a história do motociclismo. Ao vencer a sétima etapa da categoria 125cc do Campeonato Brasileiro de Moto, disputada no mês passado, no Paraná, tornou-se a primeira mulher a ganhar uma prova do nacional. "A sensação de ser campeã é maravilhosa. O primeiro lugar do pódio é para poucos. E tudo isso é fruto de uma trabalho feito com muito carinho. Mas é preciso lembrar também que eu não ganhei sozinha. A vitória é para mim, minha equipe e minha família", diz.A atleta começou a se interessar por moto ainda pequena. Mas só conseguiu pilotar pela primeira vez em 2001, depois do incentivo do amigo Luís Henrique. "Eu sou suspeita para falar que me dava bem com moto. Sou uma pessoa que me cobro muito. Tenho de fazer sempre o melhor. Vivo me colocando defeito", conta.Ana Lima revela que sente um pouco de medo quando está em cima da moto. O que, segundo ela, é fundamental. "Todo piloto tem de ter um pouco de medo. Faz você ter respeito pela moto. É importante, porque uma pessoa que não tem medo não tem limites. E qualquer esporte que você pratica dentro dos limites é saudável e seguro. Fora deles, é perigoso."Dentro das pistas, ela tem de encarar os marmanjos de igual para igual. "Preconceito não existe. O que tem mesmo é uma rivalidade bastante saudável entre os pilotos na pista. E fora da pista, somos todos muito amigos. Mas tem sempre aquela questão cultural do brasileiro, que fala: ?Pô! Uma mulher me passou?. Eles acabam não gostando muito."O próximo desafio da piloto - que tem como objetivo em sua carreira continuar aprendendo e evoluindo - será a última etapa do Campeonato Brasileiro, em 6 e 7 de novembro, na pista de Interlagos, em São Paulo. Ana Lima está na quarta colocação da 125cc, com 96 pontos.Para manter a forma, ela não vai a academia. Faz exercícios aeróbicos em casa, com seus pesinhos. Assim, a motociclista de 1,60 m consegue manter seu peso de 40 kg. "Não é preguiça de malhar. Eu não gosto do clima de academia", diz. Quando Ana não está em cima da moto, dedica seu tempo à filha Mariana, de 7 anos. A garota, conta, acha um barato ver a mãe em cima da moto. "Minha filha fala algumas vezes que pretende ser piloto quando crescer. Daí eu fico com o coração na mão. Acabo sentindo um pouco o que minha mãe sente", diz.

Agencia Estado,

18 de outubro de 2004 | 09h27

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.