Epitácio Pessoa/Estadão
Epitácio Pessoa/Estadão

Análise: 'A Fórmula 1 vai ganhar no lado humano'

Ex-piloto Luciano Burti crê em alteração na relação entre os pilotos da categoria com os fãs

Luciano Burti, Especial para o Estado*

02 de setembro de 2017 | 17h00

Ainda é cedo para falar de resultados destas mudanças na Fórmula 1. Ainda estão em processo de conhecer melhor o esporte, conhecer o produto para depois promover as mudanças. Na TV, já deram uma mudada naquele jeitão que era mais travado da transmissão, que só mostrava carro de corrida. Estão mostrando cada vez mais as arquibancadas, o público. 

Eles têm tentado trazer os pilotos para perto do público. Depois que descem do pódio, eles vão até o meio da pista para dar entrevista, diante da arquibancada. Esse primeiro contato, que é trazer o lado humano mais para perto de quem está torcendo, já é uma mudança. Não foram muitas coisas ainda que aconteceram, mas para o ano que vem deve ter mais coisas novas. A F-1 era muito fechada para este mundo novo, da internet, mundo digital. O Bernie (Ecclestone, antigo dono) sempre foi contra. Só olhava o lado comercial. E para ele a internet não era comercial. As mudanças maiores devem vir para 2018.

Acho que a mudança é trazer o lado humano para perto da torcida, que é o jeitão americano de fazer. As entrevistas mais perto do público é uma forma de dar satisfação à torcida. Eles querem promover o lado humano, que sempre ficou ofuscado na F-1. Antigamente acabava a corrida, os pilotos estouravam o champanhe e iam para a sala de imprensa. Hoje os pilotos falam sobre a corrida, sobre o que estão sentindo. A pegada é por aí, as ações ainda não estão aparecendo. Mas a mudança principal é aproximar o público dos pilotos, visando este lado humano, que a F-1 perdeu faz muito tempo.

Esse jeitão americano pode promover muito mais o show do que a corrida em si. O americano faz o negócio ser um show, mais aberto. E não investe tanto na parte técnica. A F-1 se vendeu para as montadores como um berço de novas tecnologias, de segurança e desempenho. O americano foi para o lado do show, o europeu foi para o lado técnico. Acho que a F-1 não vai perder esse DNA. Vão tentar melhorar o lado do show, mas não vejo a F-1 se tornar uma categoria americana. A parte técnica sempre vai ser o DNA, diferente do automobilismo americano.

*Ex-piloto de Fórmula 1 e comentarista da TV Globo

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