Andretti, um patrimônio da Indy

A caminho dos 39 anos, que completará em 5 de outubro, o norte-americano Michael Andretti é considerado ?propriedade? da Fórmula Indy. Afinal, está na categoria desde 1983 e disputa sua 18ª temporada - em 93 optou por uma mal sucedida aventura na F-1. Já foi campeão (91), é o piloto em atividade com mais GPs disputados (280, sem contar o GP de Chicago deste domingo), com mais vitórias (41), já liderou 6.509 voltas (só perde para o pai, Mario, com 7.587) e ultrapassou os US$ 17 milhões em prêmios. Já dava para se aposentar. Michael nem pensa nisso. Acha que ainda tem muito a fazer. ?Eu me sinto em forma, motivado. Tenho prazer em correr e acho que ainda terei por muito tempo.?Ao observar Michael conversar com os integrantes de seu time, o Green/Motorola, numa troca constante de informações em busca do melhor acerto do carro, a impressão é que ainda vai demorar para ele se cansar. Ele não se sente velho para o negócio. ?Sou experiente.?Apesar do apoio de um patrocinador como a Motorola e da estrutura proporcionada por Green, Michael enfrentou a desconfiança de que estava em fase descendente. Por isso, comentou-se, a decisão da Newman-Haas em trocá-lo por alguém mais jovem como Cristiano da Matta.Na pista, desmentiu a decadência. Apesar do desempenho irregular na primeira parte da temporada, venceu em Toronto, foi segundo em Milwaukee e está em quarto lugar na classificação, com 73 pontos, a 11 do líder Kenny Brack. ?Estou na luta. O que interessa é terminar corridas, se possível entre os cinco primeiros.?Juízo - O Andretti de hoje mantém o arrojo. Mas já não é o piloto que, às vezes, parecia irresponsável pelas manobras arriscadas, que punha os outros competidores em risco. Não está livre de uma "recaída??, mas procura não colocar a cabeça de ninguém em perigo, principalmente a sua.A preocupação com a segurança aumentou bastante nos últimos anos. Andretti deu exemplo disso no GP do Texas, que acabou cancelado porque os pilotos não conseguiriam dar mais de 30 voltas sem correr o risco de desmaiar dentro do cockpit - no circuito texano, a soma da velocidade dos carros com a inclinação da pista resultaria, após algum tempo, em falta de irrigação de parte do cérebro dos pilotos.Ao perceber que os organizadores relutavam em cancelar a prova, ele disse algo que pode ter sido decisivo para a definição a favor da segurança. ?Se eu correr e alguma coisa me acontecer, o que vocês dirão à minha mulher e aos meus três filhos?? Pouco depois, o GP foi cancelado. ?Não é porque tenho uma atividade arriscada que vou querer me quebrar.?Há, na Indy, quem garanta que Andretti ficou mais cuidadoso após o nascimento do terceiro filho, Lucca, que em setembro faz 2 anos.Michael Andretti é um ídolo dos norte-americanos. A preferência é mais evidente hoje, quando são poucos os pilotos do país na Indy. Nos trailers que vendem produtos da categoria, os que lembram o piloto estão sempre entre os preferidos.Ele também é muito solicitado pelos fãs, principalmente crianças, ávidos por um autógrafo ou por trocar algumas palavras. Procura atender a todos. ?Tenho de admitir: estou mais paciente.?

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