Olivier Anrigo/EFE
Olivier Anrigo/EFE

Antes do coma, Bianchi disse que não queria ficar como Schumacher

Francês passou nove meses adormecido e faleceu sexta-feira

O Estado de S. Paulo

22 de julho de 2015 | 11h59

A morte do piloto Jules Bianchi na última sexta-feira abalou o mundo da Fórmula 1 e reacendeu os holofotes para a situação do heptacampeão Michael Schumacher, em coma desde acidente de esqui sofrido nos Alpes Franceses, há um ano e meio. O pai de Jules, Philippe Bianchi, revelou em entrevista ao jornal britânico Daily Mirror, que conversou sobre a situação de Schumacher com seu filho antes do acidente fatal ocorrido no Japão há nove meses.

Na conversa, Jules disse a seu pai que não gostaria de viver nas condições de Schumacher. "Se ele fosse desabilitado seriamente, estamos convencidos de que isso não é nada do que Jules queria. Nós conversamos sobre isso", afirmou Philippe. "Ele nos disse que se sofresse um acidente e fosse deixado como Schumacher, na cama e incapacitado, seria difícil viver. Era a vida dele".

Philippe Bianchi também comentou sobre os nove meses de drama que antecederam a morte do filho. "Havia momentos que, observando Jules em sua cama, sem um arranhão ou qualquer coisa, eu dava um beijo em sua bocheca e dizia, 'vamos, levante, o que você está fazendo deitado aí? Vamos deixar o Japão, Jules, vamos para casa'". O pai ainda classificou o momento como 'insuportável' e 'uma tortura diária'.

SCHUMACHER

Recentemente, a mídia internacional destacou as diferenças de tratamento da imprensa entre as famílias de Schumacher e de Bianchi. Os pais de Bianchi se sentem obrigados a falar publicamente em respeito aos fãs que mandam mensagens de apoio. "Essas pessoas que pensam nele e rezam por ele são uma motivação fabulosa", afirmou Philippe em entrevista ainda antes da morte de Jules.

A esposa de Schumacher, Corinna, por sua vez, prefere a intimidade. Tanto que, na última semana, ganhou uma causa em primeira instância após processar três tablóides alemães por 'invasão de privacidade'. Sabine Khem, empresária de Schumacher, ameaçou processar outros tantos que publicar informações sobre o estado de saúde do heptacampeão mundial de Fórmula 1. É uma decisão da família não divulgar nada sobre o ex-piloto.

O alemão continua a recuperação em casa. Os veículos processados por Corinna teriam revelado que o ex-piloto “às vezes abria os olhos”, recebia “tratamento especial” de cuidadores e havia balbuciado suas “primeiras palavras” depois desse tempo todo. A equipe de especialistas que cuida de Schumacher, estimada em 15 pessoas, assinaram uma cláusula de confidencialidade e não podem externar qualquer informação sobre o tratamento. Sem patrocinadores, estima-se que a família já tenha gasto mais de R$ 50 milhões na terapia.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.