Andrew Boyers/Reuters
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Após quatro décadas, família Williams anuncia sua retirada da Fórmula 1

Claire Williams, cujo pai, Frank Williams, fundou a equipe em 1977, fez um pronunciamento, nesta quinta-feira, antes do GP da Itália

Redação, Estadão Conteúdo

03 de setembro de 2020 | 10h50

Após mais de 40 anos na direção de uma das equipes mais famosas da Fórmula 1 e mais de 750 corridas disputadas, a família Williams está se afastando para que seus novos proprietários tenham uma chance clara de reviver as glórias da equipe. Claire Williams, cujo pai, Frank Williams, fundou a equipe em 1977, fez um pronunciamento, nesta quinta-feira, antes do GP da Itália, que será disputado em Monza, no domingo.

"Tomei a decisão de me afastar da equipe a fim de permitir para Dorilton (Capital, fundo norte-americano, novo proprietário da equipe) um novo começo como os novos proprietários. Não foi uma decisão fácil, mas acredito ser o certo para todos os envolvidos", disse Claire Williams em um vídeo gravado. "Com o futuro da equipe agora assegurado, parece ser este o momento apropriado para nos afastarmos do esporte."

Claire revelou que a Dorilton queria que ela permanecesse junto da equipe nas provas desta temporada. "Agradecemos muito o incentivo de Dorilton para continuar, mas nós sabemos que a equipe estará em boas mãos e o nome Williams seguirá", disse. "Este pode ser o fim de uma era para a Williams como uma equipe familiar, mas é o início de uma nova era para a Williams Racing e desejamos muito sucesso no futuro."

A Williams ganhou sete títulos de pilotos e nove títulos de construtores. Um dos pilotos campeões foi Nelson Piquet, em 1987. No entanto, o último deles veio com o canadense Jacques Villeneuve em 1997. A Williams ganhou 114 corridas e conseguiu 128 pole position.

Um fato muito triste e marcante na história da equipe ocorreu na temporada de 1994, com a morte de Ayrton Senna, no GP de San Marino, em Imola. "Estamos neste esporte há mais de quatro décadas. Somos incrivelmente orgulhosos de nossa história e do legado que deixamos", disse Claire Williams. "Nós sempre estivemos neste esporte por amor, pelo puro prazer de estar nas corridas de automóvel."

O presidente do conselho de Dorilton Capital, Matthew Savage, elogiou Claire Williams por continuar o legado do pai e por seus esforços em ajudar as mulheres a desempenhar um papel maior e receber mais reconhecimento em uma modalidade esportiva dominada por homens.

"A conquista de Claire em sustentar a herança, relevância e compromisso com a inovação em um ambiente difícil desde que assumiu o comando em 2013 foi nada menos que monumental", disse o novo dirigente. "Ela também tem sido extremamente instrumental na formação de um jogo técnico e financeiro mais nivelado na F-1."

A Dorilton Capital é um grupo de investimento privado cuja sede fica em Nova York e tem envolvimento em setores como saúde, engenharia e manufatura.

A Williams vinha sofrendo com uma grande queda na receita nos últimos anos, devido a uma perda de performance do carro que a levou ao fundo do Mundial de Construtores nas últimas duas temporadas. Em 2019, a equipe terminou na última colocação do campeonato de construtores, ao marcar apenas um ponto com o polonês Robert Kubica.

Mas sua performance tem se mostrado melhor ao longo de 2020. O britânico George Russell e o canadense Nicholas Latifi conseguem rivalizar mais frequentemente com a Haas e a Alfa Romeo.

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