Marcio Fernandes/Estadão
Marcio Fernandes/Estadão

Após um ano fora, Petrobrás volta a patrocinar o GP do Brasil

Estatal volta a colocar dinheiro na corrida, mas etapa ainda ficará em déficit, que será bancado pelo promotor do evento

Felipe Rosa Mendes, O Estado de S.Paulo

02 Novembro 2017 | 07h00

A Petrobrás voltará a patrocinar o GP do Brasil de Fórmula 1 neste ano. Após ficar de fora da edição de 2016, a empresa estatal voltará a expor sua marca na etapa a ser disputada no Autódromo de Interlagos, nos dias 10, 11 e 12 de novembro, em São Paulo. O patrocinador master continuará a ser a Heineken, que tem acordo até 2018.

+ Privatização de Interlagos mantém indefinição sobre GP do Brasil de F-1

+ Piloto mais regular dos últimos anos, Hamilton entra no clube dos grandes da F-1

A estatal acertou contrato de um ano, renovável por mais um. O retorno da empresa foi confirmado ao Estado pelo promotor do GP brasileiro, Tamas Rohonyi. “A Petrobrás voltou”, disse o responsável pela corrida paulistana, ao comemorar o acerto. “É importante pelo prestígio que a empresa traz para o GP.”

O retorno da estatal, que já havia patrocinado o GP entre os anos de 2009 e 2015, vem em boa hora para as contas do evento. “Em termos totais de rendimento, foi bom porque perdemos o apoio do Banco do Brasil neste ano. Assim, mantivemos o equilíbrio”, declarou Rohonyi.

Apesar do reforço no caixa, o GP segue com déficit. Neste ano, a etapa deve dar prejuízo de US$ 30 milhões – R$ 97 milhões. É número semelhante ao ano passado, quando em valores convertidos atingiu a marca negativa de R$ 98 milhões.

O promotor do GP ressalta que operacionalmente a corrida fecha as contas. “Não perdemos dinheiro na operação do GP. Mas falta algo na faixa de US$ 30 milhões, que são despesas internacionais”, disse Rohonyi.

Esses custos são bancados pela Formula One Management (FOM), que passou a ser controlada pelo grupo Liberty Media em janeiro deste ano. “Normalmente, é o promotor da corrida que paga esses valores. Mas, como não temos esse dinheiro, a FOM assume essa despesa a contragosto. Eles não estão gostando disso, mas é um fato da vida.”

O prejuízo causa preocupação no promotor porque os novos proprietários da Fórmula 1 ainda não se manifestaram sobre as contas do GP brasileiro. Desde que assumiu a categoria, o grupo norte-americano teve pouco contato com os organizadores da prova disputada em São Paulo. “Ainda não conseguimos sentar com eles para saber qual é o plano deles.”

No ano passado, o então chefão da F-1, Bernie Ecclestone, ameaçou cortar o GP do calendário em razão dos prejuízos. Ele chegou a se encontrar com o presidente Michel Temer, em Brasília, para avaliar possível ajuda do governo federal à etapa brasileira da principal categoria do automobilismo mundial. Mas não teve sucesso. Ecclestone acabou mantendo a etapa brasileira no calendário.

Tamas Rohonyi quer aproveitar a corrida deste ano para se aproximar dos novos proprietários e conhecer suas ideias e planos a longo prazo. Além da questão do prejuízo, o promotor pretende conversar com sobre o futuro do GP em São Paulo.

Por contrato, a corrida será disputada na cidade até 2020. Mas as negociações para renovar o vínculo já devem começar em 2018. O promotor da corrida, contudo, ainda não sabe com quem negociará porque o Autódromo de Interlagos será privatizado. Pelos planos do prefeito João Doria, o circuito irá a leilão até abril do próximo ano.

Mais conteúdo sobre:
Fórmula 1 Petrobrás

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.