Luca Bruno/AP
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Após vitória em Mônaco, Hamilton diz que correu 'com o mesmo espírito' de Lauda

Piloto também atribuiu a sua ida para a Mercedes, atual pentacampeã do Mundial de Construtores, ao austríaco

Redação, Estadão Conteúdo

26 de maio de 2019 | 14h38

Depois de conquistar mais uma vitória na Fórmula 1 no GP de Mônaco deste domingo, Lewis Hamilton disse que se inspirou em Niki Lauda para a corrida do Principado. "Eu estava lutando com o mesmo espírito de Niki. Eu sei que ele estava olhando lá de cima com seu boné abaixado. Estava tentando deixá-lo orgulhoso", disse o britânico.

O piloto também atribuiu a sua ida para a Mercedes, atual pentacampeã do Mundial de Construtores, ao austríaco, que faleceu na última segunda-feira. "Se eu não tivesse recebido a ligação dele na época (2012), teria sido campeão mundial apenas uma vez e teria umas 22 vitórias. E eu estou aqui hoje como pentacampeão. Eu definitivamente devo muito a ele", disse Hamilton.

O vencedor das últimas duas temporadas da F-1 trabalhou com Lauda desde que trocou a McLaren pela escuderia germânica em 2013. O austríaco era presidente não-executivo da equipe e acompanhou os quatro títulos mundiais de Hamilton pelo time.

O austríaco era uma figura importante no organograma da Mercedes, mas seu legado vai muito além disso. Lauda foi tricampeão mundial da categoria máxima do automobilismo em 1975, 1977 e 1984. As duas primeiras conquistas foram pela Ferrari, enquanto que a última veio pela McLaren, dois anos após o retorno do então bicampeão à F-1.

Lauda deixou a categoria no fim da temporada de 1979, depois de dois anos com a Brabham. Ele foi para a equipe então comandada por Bernie Ecclestone após conquistar o seu segundo título pela Ferrari, proeza que o consagrou definitivamente na história da categoria. Isso porque aquele campeonato foi disputado um ano depois do grave acidente do austríaco no GP da Alemanha de 1976, no traçado antigo do circuito de Nurburgring, conhecido como o "inferno verde".

Naquela ocasião, Lauda bateu com sua Ferrari, que entrou em chamas, causando grandes queimaduras ao austríaco, que também inalou gases tóxicos bastante nocivos. De forma surpreendente, ele voltou às pistas em apenas seis semanas, no GP da Itália, em Monza, no qual terminou em um excelente quarto lugar.

O piloto ainda tentaria defender o seu título até a última etapa daquela temporada, no GP do Japão, em Fuji, mas abandonou a chuvosa corrida por não se sentir suficientemente bem para se arriscar na pista. Com isso, o campeonato acabou com seu rival e amigo James Hunt, britânico da McLaren. A história dos dois é uma das mais marcantes da F-1 e já virou filme.

Lauda morreu aos 70 anos e seu legado vem sendo celebrado pelo mundo do automobilismo desde então. No GP de Mônaco deste fim de semana, Hamilton foi um dos que mais destacaram a história da lenda do esporte a motor.

O britânico venceu sua 56.ª corrida pela Mercedes e elogiou o trabalho da equipe no Principado, embora tenha admitido que estava com os pneus deteriorados no fim da prova. Os compostos médios com os quais ele terminou a prova rodaram mais de 60 voltas. "Ou eu iria até o fim ou abandonaria, fui para o tudo ou nada. Acho que foi a escolha errada de pneus, mas fora isso o time fez um trabalho incrível. O que fizemos nas últimas seis corridas é incrível", destacou a estrela da Mercedes.

A escuderia dominou as seis corridas do ano até aqui. A etapa de Mônaco, aliás, foi a primeira em que não houve dobradinha das "Flechas de Prata". Max Verstappen, da Red Bull, terminou em segundo, mas tomou punição de 5 segundos por saída perigosa dos boxes, em que tocou Valtteri Bottas, da Mercedes, e caiu para quarto. Com isso, Sebastian Vettel, da Ferrari, herdou o segundo posto. Bottas completou o pódio.

O companheiro de Hamilton teve que fazer mais um parada em função do choque com o holandês da Red Bull e não pôde brigar para terminar mais à frente. O finlandês se mostrou decepcionado com a prova monegasca, que foi complicada também por causa de um safety car causado por acidente de Charles Leclerc, da Ferrari. Com o acionamento do carro de segurança, os dois carros da Mercedes fizeram pit stops em sequência.

"Foi uma corrida decepcionante porque tínhamos velocidade. Tive que parar ao mesmo tempo que Hamilton e perdi algum tempo. Ao sair, Max Verstappen não me deixou espaço. Meu pneu furou, tive que parar de novo e fiquei para trás. Foi decepcionante", lamentou Bottas, segundo no campeonato. Hamilton lidera com 137 pontos, contra 120 do companheiro finlandês. O alemão Vettel é o terceiro, com 82.

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