Arrows pode não correr em Silvertone

Histórias como esta são relativamente comuns em países pobres, como o Brasil: só podem participar do jogo de futebol os jogadores que contribuírem na "vaquinha" para a compra da bola. Esse mundo dos improvisos, das dificuldades extremas até para a aquisição de um bola, dessas de plástico mesmo, nada tem a ver com o glamour e a riqueza que sempre caracterizaram a Fórmula 1. O que pouca gente sabe, no entanto, é que também na Fórmula 1 há quem não ajude a pagar a conta e por isso fica de fora da disputa. Até a noite desta quinta-feira, a equipe Arrows estava fora do GP da Grã-Bretanha. Motivos: não pagou seu fornecedor de motor, a Ford, além de enfrentar uma guerra judicial entre os seus sócios.Pode até ser que nesta sexta-feira Heinz-Harald Frentzen e Enrique Bernoldi, os pilotos da Arrows, participem normalmente dos primeiros treinos livres do GP da Grã-Bretanha, décima etapa do Mundial. Mas até esta quinta à noite seus carros não tinham sobre os motores os computadores que gerenciam seu funcionamento. "Já demos prazos extras para Tom Walkinshaw (sócio da Arrows) e ele não os cumpriu. Tenho de cuidar dos interesses da Cosworth", disse Niki Lauda, diretor da Jaguar, responsável também pela administração da Cosworth, empresa que projeta e constrói os motores da Ford. "Ele tem nos pagar US$ 4,5 milhões. É simples.Paga e corre, caso contrário, infelizmente não podemos mais estender o prazo", explicou Lauda.Os carros da equipe chegaram no circuito de Silverstone apenas às 18h45. E a vistoria técnica, obrigatória para todos, ficou para esta sexta-feira pela manhã, caso haja acordo entre Walkinshaw e Lauda. Outra questão que a escuderia tem de resolver é cassar a liminar que a justiça inglesa deu ontem ao banco Morgan Greenfield, dono de 40% da Arrows. A empresa conseguiu que Tom não possa mais assinar nenhum cheque em nome da equipe. Ela se queixa de não ter sido informada da negociação da venda de parte da participação de Walkinshaw no negócio para a Red Bull, do austríaco Dieter Mateschitz.Walkinshaw, além de não colaborar na vaquinha dos motores, está brigando agora com os outros jogadores, o que pode fazer com que ele seja expulso do time. Alguns defendem essa posição claramente, como o australiano Paul Stoddart, sócio da Minardi. Walkinshaw e seus pilotos são esperados nesta sexta no autódromo. Nesta quinta ninguém na equipe tinha autorização para falar com a imprensa. "A única coisa que sei é que a Arrows está como o meu país, a Argentina, sem dinheiro", disse o projetista Sergio Rinland, que também aguardava notícias. A Fórmula 1 já perdeu a Prost Grand Prix nesta temporada e segundo previu Bernie Ecclestone, promotor do evento, "dois outros times podem não terminar o campeonato por falta de dinheiro." A Arrows pode ser um deles.

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