Artigo: O outro lado do GP do Brasil de Fórmula 1

Organização do evento impressiona e garante a realização de mais uma corrida de F-1 em Interlagos

Castilho de Andrade, especial para o estadao.com.br

19 de outubro de 2007 | 17h51

Durante os últimos 35 anos - sem contar o período em Jacarepaguá - acompanhei em Interlagos o desenvolvimento das corridas de Fórmula 1, desde aquele distante GP de 1972 para homologar o circuito.  O interesse não foi diferente de outros jornalistas: observar a montagem dos carros, ouvir pilotos e chefes de equipe, seguir algumas personalidades no dia da corrida e garimpar algumas histórias curiosas. Agora, no papel de diretor de imprensa do Grande Prêmio do Brasil, estou  conhecendo o outro lado da prova - o da organização - e cada vez mais impressionado com as dificuldades e o volume de detalhes. A conclusão é simples: sem o know how e uma equipe preparada, hoje, o GP não seria realizado.   As fundações da corrida de Fórmula 1 em Interlagos começam pelo circuito cuja pista possui uma camada de asfalto que varia entre 1,5 e 2 metros de altura. Em uma auto-estrada, dificilmente esta camada supera os 50 cm. Em tese isso é bom pois garante estabilidade. O autódromo tem três nascentes, protegidas por leis ambientais, e um surpreendente desnível  de um edifício de 20 andares (cera de 56 metros) entre o ponto mais alto ( o S do Senna) e o mais baixo (Lago). Para uma corrida de Fórmula 1 isso é muito mais interessante do que um circuito plano, tipo Jacarepaguá. Mas em Spa-Francorchamps, por exemplo, na Bélgica, a diferença entre o ponto mais alto e o mais baixo da pista é maior do que em Interlagos.   O lago do autódromo guarda alguns segredos. Há uma kombi no fundo. E mais objetos metálicos não identificados. Isso não ajuda nem atrapalha a corrida. Mas, em compensação, há uma galeria de cerca de 60 ou 70 metros, ligando o projeto Cingapura à beira do lago. Esta galeria com cerca de 1m20 de altura deve ter uma vigilância constante pois é um dos caminhos preferidos para a invasão do circuito. Serve de passagem para banhos proibidos no lago. Mas também para os dias de corrida.. Com um bom serviço de drenagem, o lago poderia ser utilizado para a prática de alguns esportes como o jet-ski. O projeto está no papel.   Para a administração da corrida e controle completo de todas atividades no autódromo - serviço de abastecimento de água e alimentos (sempre entre a noite e a madrugada), fiscais de prova, imprensa, limpeza, manutenção, resgate, segurança (24 horas por dia), bombeiros, etc - Interlago é dividido por Alfredo Tambucci, diretor de operações, em 36 áreas, sendo três internacionais (pit lane, paddock e pista) e 33 nacionais (externa, central e interna). A circulação de pessoas e veículos, dessa forma, tem de obedecer à normas rigorosas aplicadas através de um complexo sistema de credenciamento e barreiras. A maioria das credenciais tem três versões, para sexta-feira, sábado e domingo. Para se ter uma idéia são 48 tipos diferentes de identificações de serviço, 36 de credenciais VIP, 48 modelos de ingressos, 4 variações de credenciais de imprensa - fora das emissoras de televisão - 5 categorias para as equipes esportivas, etc. A logística do GP deve levar tudo isso em consideração.   Os desafios não param por aí. O consumo de energia nos três dias de atividades corresponde ao de um dia de uma cidade 20 mil habitantes. E para assegurar o perfeito entrosamento entre as diversas áreas do GP, a Embratel preparou-se para instalar 600 linhas telefônicas no autódromo.   Em linhas gerais, a Interpro - International Promotions - responsável pelo evento - tem sua estrutura montada na parte comercial, promoção e de marketing com a vice-presidente Fabiana Flosi - na execução com a vice-presidente de operações, a engenheira Cláudia Ito. Desses dois vértices seguem os outros comandos como o da secretaria da prova com Paula Naomi, do credenciamento do staff junto à FIA e FOM com a diretora-adjunta de imprensa Silvana Lee Chang (também responsável pela pelas salas de imprensa e fotografia), finanças com Luciana Maciá, a engenharia com Luis Ernesto Morales, o suporte às equipes com Luiz Eduardo Araújo, protocolo com Ruben Passos, atendimento aos clientes com Patrícia Dias, etc.  A Interpro tem na empreitada do GP um aliado de peso inestimável: a Rede Globo de Televisão. Um evento com a marca da Globo é sempre definitivo.   Na pratica, a Interpro é uma empresa de 'event management' que, desde 1980 quando assumiu a promoção do GP do Brasil de F-1 (além de criar as corridas da Hungria e Portugal), criou uma tecnologia para realizar maxi eventos esportivos. Esta, segundo o promotor Tamas Rohonyi, a responsável pela qualidade do evento. É por isso que, operando em condiçõe desfavoráveis - leia-se comodidades do autódromo -  em relação aos promotores de outros países, a  equipe conquistou, em 2006, o troféu de GP mais organizado.   Castilho de Andrade é diretor de imprensa do GP do Brasil de Fórmula 1. E cobriu Fórmula 1 para os jornais O Estado de S. Paulo e Jornal da Tarde entre 1972 e 2006.

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