Yoan Valat/EFE
Yoan Valat/EFE

Autódromo em Le Castellet tem lotação máxima para celebrar volta da F-1 à França

Torcida francesa se animou com o retorno da prova ao calendário da categoria

Rafaela Borges, enviada especial / Le Castellet, O Estado de S.Paulo

24 Junho 2018 | 15h34

O circuito de Paul Ricard, na vila medieval de Le Castellet, na região francesa de Provence, esperou 18 anos para voltar a sediar a Fórmula 1. Neste domingo, porém, se tornou o palco do primeiro GP da França em dez anos, vencido pelo inglês Lewis Hamilton, e contou com presença em massa da torcida, que garantiu lotação máxima.

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De 1990, data da última prova em Le Castellet, até 2008, quando foi disputado o derradeiro GP da França, esse evento ocorreu em Magny Cours. No período, Paul Ricard ficou fora do calendário da principal categoria do automobilismo, mas jamais perdeu seus fãs. O autódromo, considerado um dos principais templos do automobilismo mundial, foi sede de provas de motociclismo e longa duração. Além disso, abriu suas portas ao público para experiências de direção, inclusive ao volante de carros da Fórmula 1.

Uma das razões da escolha de Paul Ricard para voltar a sediar o GP da França foi a localização. Embora Le Castellet seja uma pequena vila de 4 mil habitantes com apenas dois hotéis, está em uma região bastante turística, e também com algumas cidades grandes (a principal é Marselha, com quase 1 milhão de habitantes).

Nessa zona da Provença, em um raio de até 60 km de Le Castellet, há excelente cadeia hoteleira, capaz não apenas de acomodar os cerca de 5 mil profissionais da Fórmula 1, mas também o público que vem de várias partes da França e da Europa (principalmente da Itália e da Espanha). Segundo a organização, em três dias o circuito recebeu 150 mil pessoas (sendo 65 mil, lotação máxima, no domingo).

Já Magny Cours ficava em uma região remota, obrigando os profissionais da categoria a se acomodarem em quartos alugados em casas da região. Alguns dirigentes e pilotos (inclusive Ayrton Senna) costumavam se hospedar em Lyon, a cerca de 200 km. Para o autódromo, iam e voltavam de helicóptero.

NOVA FÓRMULA 1

A Liberty, dona da Fórmula 1 e organizadora do espetáculo desde o início de 2017, investiu pesado na missão de dar uma nova cara à categoria durante o GP da França. O país, junto com Inglaterra e Alemanha, é um dos que mais cultuam o automobilismo.

No autódromo, foram organizadas várias atrações extra-pista. Havia uma área que reproduzia uma vila provençal, com comidas e bebidas típicas da região. Em outro local do autódromo, o público pôde se divertir com atividades como simuladores e karts (Paul Ricard tem uma pista destinada a esta atividade).

No domingo, antes da prova, o empolgado público que lotou a arquibancada cantou, a plenos pulmões, o hino nacional francês, La Marseillaise, em manifestação que lembrou muito as do público brasileiro durante os jogos do País na Copa de 2014. Foi um momento comovente.

 

Os torcedores que lotaram as arquibancadas, munidos de bandeiras da França que formaram uma bela imagem, se mostraram empolgados com os diversos pilotos franceses da categoria, bem como com a equipe local, Renault. A torcida da Ferrari também se fez ouvir em Paul Ricard. Além de o time ter fãs clube em toda a Europa, essa parte do país é bastante próxima da região italiana da Liguria.

Também antes da corrida, houve shows de acrobacias aéreas (há um aeroporto ao lado do autódromo) e até um "homem voador", a bordo de um drone.

Após o encerramento das atividades automobilísticas (o fim de semana contou com corridas de categorias como GP3 e Fórmula 2), o público pôde conferir um show do DJ francês David Guetta, em palco montado diante da pista.

Uma mostra de que a nova Fórmula 1 casa muito bem com um dos públicos tradicionais da categoria, bem como com um templo histórico do automobilismo. Paul Ricard, apesar de veterano, se modernizou bastante. Há um novo e moderno prédio que abriga camarotes, exposição de fotos de corridas e até salas de conferência.

EM BAIXA

Um ponto baixo do evento francês é a falta de transporte público não rodoviário para Le Castellet. Diferentemente do que ocorre na maioria dos locais da Europa que recebem a Fórmula 1, não há trens para vilarejo.

Isso leva o público a usar seus automóveis para chegar a Paul Ricard. Alguns optam por ônibus e vans fretadas.

Como o vilarejo é acessado apenas por estreitas estradas vicinais, o trânsito é tão intenso que acabou fazendo muita gente perder parte do evento. Na sexta-feira, dia de treinos livres, houve pessoas que demoraram 7 horas para percorrer 10 quilômetros.

No sábado, a organização do evento e prefeituras de cidades das imediações tomaram medidas para amenizar o estresse da chegada e diminuir os congestionamentos.

Porém, nesse dia, o problema foi a saída. Em alguns horários, quem estava de carro perdia, em alguns horários, até uma hora e meia para rodar apenas 5 km. A polícia francesa fez uma grande confusão com o gerenciamento do tráfego. No domingo, no entanto, os problemas foram solucionados.

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