Banana ?salva? Gil antes da prova

Ray é um senhor de cabelo tingido cuja função é cuidar do bom andamento da sala de imprensa em Surfer´s Paradise. Mas neste domingo ele fez mais. Providenciou a banana que Gil de Ferran queria de qualquer maneira comer antes da corrida, e que não havia em lugar algum do autódromo. Pode-se dizer que teve sua participação na conquista do bicampeonato do piloto brasileiro. Depois de almoçar apenas salada e fruta, já que não estava muito bom do estômago, Gil quis banana. "Ele sempre come por causa do potássio, para não dar câimbra", explica sua assessora, que teve a missão de realizar o desejo do piloto. Após tentar em vão junto a todos os fornecedores de refeições da prova, restou pedir ajuda ao amigo Ray, que fez sua mulher comprar um cacho e deixar num hotel ao lado da pista, onde ele mandou buscar. Era tanta banana que todos, inclusive o dono da equipe, Roger Penske, comeram.Depois da reunião de estratégia com Roger e os engenheiros, Gil vai para a pista, onde a Miss Indy o espera com um guarda-chuva para protegê-lo do sol forte. Antes de entrar no carro, entrega os óculos escuros para a assessora, checa os bolsos para ver se não esqueceu nada, fecha o macacão, põe a joelheira e toma um último gole d´água.Antes de colocar o capacete, que tem as bandeiras da Austrália (país da corrida) e dos Estados Unidos (por causa dos atentados), observa calmamente os jatos que passam rasantes, produzindo fumaça e um barulho ensurdecedor. Antes de partir, um aperto de mão do patrão Roger, que depois dá dois tapinhas paternais no capacete. Poderiam ser interpretados como: "Não faça como no ano passado, meu filho." Esta orientação Gil segue à risca, fazendo uma corrida consciente e sem erros. Mas há um momento em que ele acha por bem desobedecer. É no final da corrida, quando Kenny Brack, que tinha largado em 13º, aparece em seu retrovisor. Mesmo se for ultrapassado, ainda poderá ser campeão, mas a situação ficará mais arriscada."O Roger sugeriu que eu deixasse ele passar, mas eu não quis", conta Gil, lembrando o problema no freio e o risco de tocar na traseira do carro do sueco: "Eu sabia que estava bem mais rápido que ele, tenho que admitir que não foi difícil segurá-lo." Se Brack não ameaçou, muito menos Hélio Castro Neves, companheiro de Gil na Penske e outro piloto que ainda tinha chance de ser campeão. Ao tentar ultrapassar Michael Andretti, na 40ª volta, Helinho passou reto numa curva e foi parar na última posição. As preces da assessora de Gil, que tinha ido à missa pela manhã, foram atendidas: "Eu rezei por ele."

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