BAR surpreende todos os prognósticos

Contra todos os princípios lógicos a equipe BAR tem se revelado a sensação da Fórmula 1 este ano. E hoje é a única que pode, ao menos na classificação para o grid, fazer alguma ameaça à inalcansável Ferrari. Williams, Renault, McLaren já ficaram para trás em performance. Mas por que contra a lógica? A história da Fórmula 1 mostra que, mesmo com um orçamento milionário, o que não é o caso da BAR, não se avança tecnicamente de forma tão extraordinária de um campeonato para o outro, como está fazendo a BAR. "Os 8 mil quilômetros de testes que realizamos, ano passado, com o carro-conceito, que gerou a base do modelo atual, o 006, foram decisivos para acertarmos no projeto", diz o competente e sempre acessível diretor-técnico da equipe, Geoff Willis. O carro de 2003 era lento e não concluía as corridas. Nas 16 corridas, somou 26 pontos. A BAR foi a quinta entre os construtores. Agora, com apenas quatro etapas disputadas, soma 27 pontos e está em terceiro, empatada com a Williams, atrás da Ferrari, com 64, e da regular Renault, 31. Além de chassi pouco eficiente, a BAR dispunha de motores Honda que nada tinham a ver com os da época de Ayrton Senna na McLaren, os melhores da competição. "Tudo é novo no motor que desenvolvemos para este ano", explica o diretor de engenharia da empresa japonesa, Shuhei Nakamoto. Mesmo assim, mudar tudo e acertar, de cara, na extensão do que fez a Honda, não faz parte do esperado na Fórmula 1. Tradicionalmente também um time que passe a utilizar pneus de marca distinta da em uso no ano anterior necessita de um campeonato, pelo menos, para compreender as características dos novos pneus e conceber o próximo carro para atendê-las. Essa relação chassi-pneu é ultraespecífica na Fórmula 1. A BAR trocou a Bridgestone pela Michelin este ano e, contra a lógica, é o melhor time dos franceses. "Não há dúvida de que somos muito rápidos porque exploramos muito bem o que o nosso pneu tem de melhor", afirma Jenson Button, principal piloto da BAR. "O melhor desse avanço é que dispomos, agora, de uma base técnica que nos permitirá grande margem de desenvolvimento", explica Willis. A BAR surgiu em 1999 e seus cinco carros nasceram, todos, muito ruins. "As alterações que o time fazia eram todas radicais, não havia aqui solução de continuidade. Começava-se sempre do zero, de uma temporada para a outra", conta Willis, que está na escuderia há pouco mais de um ano, proveniente da Williams. "Vamos ter para Barcelona mais alguns componentes novos no conjunto aerodinâmico." Button não escondia, neste domingo, sua ansiedade com o GP da Espanha, dia 9. "Fomos realmente rápidos lá no teste de duas semanas. Com as novidades no carro deveremos ser ainda melhores. Aos poucos estamos nos aproximando de nosso objetivo, que é vencer corridas", disse Button, mas demonstrou realismo. "Cheguei hoje apenas nove segundos atrás do Schumacher porque ele administrou sua vantagem. O normal seria mais de 20 segundos."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.