Barrichello fala sobre o seu futuro

Pela primeira vez Rubens Barrichello abordou a questão do seu futuro na Fórmula 1. E foi contundente: "Pode pôr quem quiser aqui (carro da Ferrari) que, tenho certeza, não vai fazer melhor do que eu." Sobre o candidato mais comentado para substituí-lo, Kimi Raikkonen, da Sauber, que disputou apenas cinco corridas de Fórmula 1, Rubinho foi também enfático: "Pelo que sei essa história é mentira e duvido que a Ferrari vá se arriscar contratando um piloto tão jovem." Apesar da força das suas palavras, Rubinho demonstrou estar tranqüilo hoje no circuito A1-Ring, onde amanhã começam os treinos livres do GP da Áustria, sexta etapa do Mundial. "O meu futuro na Ferrari não depende do meu desempenho nas próximas corridas", disse. "O que eu tinha de mostrar a eles já mostrei." Mas adiantou: "Concordo que ainda não tem mesmo nada definido." Até a possibilidade de perder a chance - rara - de pilotar um carro vencedor não o está assustando: "Posso dizer que já passei por momentos mais difíceis na Fórmula 1 e meu trabalho, ao contrário do que falam, tem sido muito bom." O noticiário na imprensa internacional, semana passada, chegou a incomodá-lo. Jornais da Itália e até do Brasil apontavam a sua saída da Ferrari como iminente. "Meu avô me ligou perguntando se ia mesmo trocar a Ferrari pela Toyota. Inventaram tanta coisa, eu não conheço ninguém da Toyota." Mas admitiu estar com a imagem desgastada dentro da sua equipe. "Eu já fui chamado a atenção várias vezes para me explicar sobre eventuais declarações." Segundo o piloto, suas afirmações têm sido regularmente distorcidas. "É incrível como as pessoas só abordam o que há de negativo. Tem tanta coisa boa no meu trabalho aqui na Ferrari, mas ninguém fala." O dia em que Guga cair para segundo no ranking será a mesma coisa, de acordo com Rubinho. "Na sua primeira derrota ou contusão, vão começar a falar tudo dele. Eu fiquei chocado com o tratamento que recebi." Independente disso tudo, dia a dia ele negocia com os italianos, conforme comentou, o seu futuro na escuderia. "Pode ser que a definição se estenda até agosto", revelou. A direção da Ferrari tem até o fim de agosto para lhe responder se renovará ou não o seu compromisso.Logo depois de ser anunciado como piloto da Ferrari, em setembro de 1999, Rubinho disse que ele também tinha interesse em saber se era apenas um bom piloto ou um vencedor. hoje, quase dois anos depois, a imprensa lhe perguntou se havia chegado a alguma conclusão. "É difícil responder. Se você comparar apenas eu com o Michael, chegará à conclusão de que ele foi melhor." Depois completou: "Mas tenho sido comparado a uma pessoa do nível de Ayrton Senna e eu não estou nesse nível." Schumacher não o surpreendeu. "Não sou como o Eddie Irvine, que o considera imbatível. O que ocorre é que todo piloto tem altos e baixos, menos o Michael, que só tem alto." Se os dois tiverem o mesmo carro e sua adaptação ao circuito não for a ideal, Rubinho admitiu que teria mais problemas que o alemão. "Ele seria capaz de tirar mais do carro do que eu." A competência de Schumacher é resumida numa frase: "Ele é frio, calculista, senta no carro e consegue voltas incríveis." O bom dessa história, lembrou Rubinho, é o fato de todos o considerarem o companheiro de equipe mais difícil que Schumacher já teve.

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