Barrichello faz uma prova impecável

Os amigos Rubens Barrichello, da Ferrari, e Luciano Burti, Prost, viveram emoções distintas, hoje em Hockenheim. Rubinho realizou outro belíssimo trabalho durante a corrida e classificou-se em segundo. Foi o seu oitavo pódio na temporada, em 12 etapas disputadas. Já Burti protagonizou um dos acidentes mais espetaculares dos últimos anos, logo na largada, ao decolar depois de bater na traseira da Ferrari de Michael Schumacher."Quando vi a repetição do que me ocorreu na televisão, logo em seguida, antes da relargada, achei mais sensacional do que quando estava lá dentro do carro", comentou.Dois pit stops diante de apenas uma parada da maioria. Rubinho ousou de novo. "Largando em sexto, tínhamos de tentar algo diferente", disse. Na primeira largada ele já estava em terceiro quando a corrida foi interrompida, para a retirada dos fragmentos da Prost de Burti."Dei sorte também porque levei uma pancada por trás que danificou meu aerofólio traseiro." Mika Hakkinen, da McLaren, chegou a lhe pedir desculpas. "Eu já o tinha ultrapassado, da freada da terceira chicane", contou. Os mecânicos substituíram o aerofólio no grid.Ele é da opinião que a direção de prova fez bem em interromper a disputa e não apenas neutralizá-la com o safety car. "Havia muitos detritos no asfalto e aqui isso é muito perigoso, por atingirmos mais de 350 km/h.", falou. "Agora, não faz sentido não terem parado a corrida antes de passarmos pelo local do acidente." Charlie Whiting autorizou a bandeira vermelha apenas depois de os carros concluírem a primeira volta. Pela primeira vez Rubinho admitiu seu plano de ser vice-campeão do mundo, já que com 40 pontos, em quarto, está a apenas 7 pontos de David Coulthard, da McLaren, segundo colocado. "Esse passa a ser um objetivo." Ralf Schumacher, Williams, é o terceiro, com 41.Burti - A exemplo de Mauricio Gugelmin no GP da França de 1989, em Paul Ricard, Burti decolou ao bater na largada. "Quando vi um carro lento na minha frente, tentei frear, mas não deu, enchi a sua traseira", disse o piloto da Prost, que em nenhum momento sentiu qualquer temor durante o "vôo" que se seguiu. "Vi o céu, senti a capotagem, pude observar a barreira de pneus se aproximar, retirei as mãos do volante, tudo de forma natural sem sentir medo", explicou. Tão logo a prova foi interrompida, segundos depois, sua preocupação era sentar no carro reserva e voltar à competição.Gugelmin, da época na March-Judd, ainda estabeleceria a melhor volta da corrida. Hoje Burti lembrou que seus tempos de volta, com o modelo reserva da Prost, eram melhores que os do companheiro Jean Alesi. "Além de não sentir nada de diferente, ainda estava mais veloz porque o carro era bem mais rápido que o meu." Ao capotar no seu acidente, o braço esquerdo acabou se chocando em algo. Ele tinha marcas de arranhão e o local apresentava bom inchaço. "Começou a doer muito e eu já não tinha força para fechar os dedos e manter o volante sob controle", contou.A corrida já se aproximava da metade. "Errei a primeira vez, por causa disso, e o Alesi me passou. Nesse momento avisei à equipe que iria parar em razão de não estar suportando mais." A Prost não tem direção hidráulica, o que obriga o piloto fazer muita força no volante."Cometi outro erro e no terceiro acabei fora da pista (23ª volta de um total de 45)." O piloto viajou hoje mesmo para São Paulo, onde ficará até pouco antes do GP da Hungria, dia 19.Enrique Bernoldi, da Arrows, disputou sua melhor corrida na Fórmula 1 e classificou-se em oitavo, quanto Ricardo Zonta, Jordan, abandonou na 7ª volta, depois de colidir com Jos Verstappen, Arrows, e danificar o aerofólio dianteiro e os freios. Tarso Marques deixou a prova na 26ª volta com problemas de câmbio.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.