Barrichello põe a culpa na imprensa

Para Rubens Barrichello, não há dúvida: a culpa por seu desgaste na Ferrari - desmentido pelo piloto - é da imprensa. "Não tenho problema algum de relacionamento com o Michael Schumacher. Já conversei com ele na Malásia e depois por telefone, é tudo coisa boba que a imprensa criou", afirmou. Referindo-se estranhamente à torcida como "meu povo", negou que há resistência dentro da equipe para renovar seu contrato."Combinamos de começar a conversar em julho. Se for antes será lucro." Sua personalidade expansiva, como a definiu, terá de ser redimensionada, a partir de agora, no Brasil, ao menos no tato com os jornalistas. "Gosto de falar, mas acho que terei de me limitar a responder as perguntas com sim, não, talvez." Suas frases são encurtadas, o que já colabora para mudar seu sentido, e depois quando são traduzidas, na Itália em especial, ganham ainda outra configuração."Eu nunca falei que a Ferrari trabalha para o Michael Schumacher e não para mim." Os jornais italianos publicaram trechos de uma entrevista do piloto em São Paulo e deram destaque à sua "reclamação." As declarações repercutiram dentro da Ferrari. "Recebi um telefonema do Jean Todt (diretor esportivo) para saber se eu havia mesmo dito aquilo", disse Rubinho.Depois de desmentir as críticas à direção do seu time, o piloto comentou ter já conversado com o presidente da empresa, Luca di Montezemolo, o próprio Todt, e um eventual atrito com a equipe é "outra invenção da imprensa." A sua própria interação com a torcida é citada por Rubinho como exemplo de como as coisas são distorcidas no Brasil."Pelo que diz a imprensa, essa relação é negativa. Não é, no entanto, o que vejo, sou parte desse público que me dá muita força." Competir em Interlagos não representa nenhuma pressão extra às muitas que já tem, de acordo com Rubinho. "Difícil era na época em que não dispunha de um carro competitivo diante do meu público." Ele aproveitou para avisar que seu capacete, este ano, será uma "homenagem a seu povo."Com certa nostalgia, Rubinho recordou os tempos em que também era povo. "Não faz muitos anos eu passava pelos buracos do muro para entrar no autódromo e pedir meus autógrafos." Mais reverências ao País: "Aqui, graças a Deus, posso voltar para casa e comer arroz e feijão." Em seguida advertiu a si próprio: "Acho que estou falando demais e na quarta-feira vai sair um monte de coisa errada." Seu discurso anti-jornalistas é total: "Se eu falar que quero lutar pela vitória aqui em Interlagos as manchetes serão assustadoras, do tipo que eu não aceito outro resultado que não seja o primeiro lugar." Nações como Inglaterra, Itália e França preservam mais seus pilotos."Ele pode estar na mais fraca das equipes que é bastante respeitado. No Brasil, qualquer coisa que você fala de outro piloto vira manchete, isso é uma falha." Rubinho referia-se à crítica que fez de Schumacher depois da corrida da Malásia e da dimensão assumida no País. "Essas coisas chegam do outro lado, o das equipes, totalmente distorcidas." De 1993 até a temporada passada, Rubinho disputou oito GPs do Brasil de Fórmula 1. Apenas em 1994 conseguiu completar a prova. Com uma Jordan-Hart, classificou-se em quarto. "A corrida é sempre no início do campeonato e nos times pequenos que competia era normal os carros quebrarem", explicou. "Não é como a Ferrari, que fica treinando em Fiorano até o carro agüentar tudo." Por fim, Rubinho diz o que poderá fazer na prova. "Meu companheiro é forte, faz manobras com o carro difíceis de se imaginar, mas eu estou perto, vou lutar muito."

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