Barrichello resolve mudar imagem

O ano de 2001 está sendo de mudanças para Rubens Barrichello. A imagem construída nas oito últimas temporadas de piloto "good felow" (bom camarada) vem sendo substituída por uma mais crítica e radical que vem surpreendendo a todos os que sempre acompanharam sua carreira. O Rubinho cordato de outros tempos - que em sua chegada à Ferrari conquistou a simpatia da equipe, da torcida italiana e levou Michael Schumacher a buscar uma imagem mais "suave" - está sendo gradativamente substituído por um mais contestador. Os primeiros e mais importantes indícios apareceram no Grande Prêmio da Malásia, quando o piloto não escondeu seu descontentamento com relação à ultrapassagem feita por seu companheiro de equipe, Michael Schumacher, durante a corrida. As declarações do brasileiro ganharam grande repercussão e criaram um mal estar geral na Ferrari, que ainda trabalha para contornar a situação e dar fim aos constantes rumores de brigas internas. Hoje, a equipe chegou a fazer uma reunião para "lavar a roupa suja" e colocar um ponto final aos conflitos, temendo que os mesmos pudessem trazer uma queda de rendimento nas pistas. Mas a nova maneira de agir de Rubinho não ficou restrita as suas relações profissionais com a Ferrari. Logo em suas primeiras entrevistas após a chegada ao Brasil, o piloto logo se pôs a falar não só sobre os problemas de imagem do Brasil no exterior como também relembrou constantes problemas do Autódromo de Interlagos, ressaltando que a maioria dos pilotos Fórmula 1 preferia não competir na capital. As declarações não foram bem recebidas pelos organizadores do Grande Prêmio Brasil. Para eles, o piloto acabou fazendo uma propaganda negativa de um evento realizado em seu próprio País.Nos últimos dias, o mais novo alvo do piloto foi a imprensa. Pela primeira vez na carreira, Rubinho declarou de maneira incisiva que a imprensa têm deturpado suas declarações e seria o principal pivô de uma série de problemas entre ele e a Ferrari. Segundo o piloto, a situação fica ainda mais crítica quando as reportagens de entrevistas concedidas no Brasil são traduzidas para outra língua. Como conseqüência, a relação de desconfiança mútua entre ele e imprensa brasileira aumentou ainda mais. Rubinho também reclamou do pouco reconhecimento das dificuldades que vem enfrentando na pista. "Todo mundo falou que cheguei em segundo, mas ninguém falou, por exemplo do problema de rolamento na roda esquerda que tive na corrida da Austrália ou que na Malásia o impacto com caixa de brita causou um desalinhamento dos defletores e, por conseqüência, uma assimetria aerodinâmica que afetou o rendimento do carro." Rubinho, no entanto, não acredita que a mudança de imagem vá afetar seu relacionamento com seus fãs no Brasil. Ao ser questionado se achava que a torcida estava decepcionada com seu trabalho, o piloto não titubeou. "Não é o que sinto." Segundo ele, o apoio dos brasileiros deve até contar de maneira positiva nos treinos de amanhã e sábado além da corrida de domingo. "A torcida faz com que eu ande mais rápido", declarou.

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