Berger homenageia Senna com a Lotus negra

Até mesmo o menos sensível dos cidadãos da Fórmula 1 não passou imune à emocionante homenagem prestada a Ayrton Senna, hoje, antes da largada, para lembrar o ocorrido no mesmo circuito Enzo e Dino Ferrari há dez anos. Gerhard Berger, grande amigo do brasileiro, percorreu por seis vezes a pista, lentamente, com a Lotus negra com a qual Senna venceu dois GPs em 1986, o da Espanha, depois de uma incrível batalha com Nigel Mansell, em Jerez de la Frontera, e o dos Estados Unidos, em Detroit. Berger segurava a bandeira do Brasil na mão, fora do carro, como fez Senna na maioria das suas 41 vitórias na Fórmula 1. "É uma homenagem linda, não poderia haver pessoa melhor que o Berger para fazê-la. A Lotus foi emprestada pelo Claudio Giovannoni, um amigo do Ayrton e da nossa família, que na realidade doou o carro para a Fundação e ao meu filho", disse Viviane Senna, presente na Itália, bastante emocionada. "É extremamente difícil, em primeiro lugar, estar aqui, e depois presenciar um gesto tão lindo, tão tocante, do povo italiano, que mostra como o Ayrton é amado até hoje." A messagem da manifestação é clara, para Viviane: "Estamos celebrando não a morte do Ayrton, mas a vida dele, seus princípios, valores, que inspiraram e continuam inspirando pessoas no mundo todo, demonstrando que qualquer um pode ser vitorioso na vida, não apenas ele." Viviane e seu filho Bruno, de 20 anos, bastante parecido com Senna, conversaram com Berger quando o austríaco parou a Lotus em cima da linha de chegada, diante de milhares de torcedores nas arquibancadas. "Ele estava extremamente emocionado no carro, era bem próximo do Ayrton", disse Viviane. Ela abordou as preocupações de Senna com a segurança. "Foi um dos legados dele para a Fórmula 1. O Ayrton não se preocupava apenas em vencer a qualquer custo, mas em competir em condições do menor risco possível." Ao deixar a Lotus, Berger disse que mantém contato regular com a família de Senna e, portanto, não era uma novidade estar com Viviane e Bruno. "Senti uma combinação de emoções lá na hora", falou. "Um pouco de tristeza, claro, e orgulho. Lembrar Ayrton é muito especial, dez anos agora." O ex-piloto, companheiro de equipe do brasileiro na McLaren em 1990, 1991 e 1992, gostou também de voltar a pilotar um modelo de Fórmula 1 dos ano 80. "Tenho boas recordações dessa época. É incrível como são esses motores, de alta potência e com uma faixa de giros aproveitável muito estreita." Na versão de classificação, sem restrição de potência no turbo, desenvolviam mais de mil cavalos de potência. Passar na curva Tamburello não foi fácil para Berger. "Senti uma emoção maior. Além do que se passou com o Ayrton eu também sofri um grave acidente lá e acredito que os comissários que me salvaram a vida são os mesmos que estão trabalhando até hoje." A Ferrari 640 do austríaco perdeu o aerofólio dianteiro, seguiu reto, bateu a cerca de 250 km/h no muro, perto no ponto de impacto da Williams de Senna, e se incendiou por inteiro. Os bombeiros entraram no meio das chamas para retirá-lo do carro. Berger ficou duas corridas fora, recuperando-se de queimaduras nas mãos e braços, e depois voltou a competir normalmente.

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