Bernoldi dispensa os holofotes

Nem parece que ele é um brasileiro correndo no Brasil. Enquanto Rubens Barrichello provoca polêmica cada vez que inventa de abrir a boca e Felipe Massa tem uma agenda de compromissos feita por encomenda para aparecer o máximo possível na mídia e atender os interesses dos patrocinadores, Enrique Bernoldi fica na dele.Quieto, fazendo esforço para não aparecer. "Não estou na F-1 para tirar fotos ou para que as pessoas achem que eu sou bonito. Tenho que trabalhar e descansar para a corrida", diz o piloto, resumindo sua tática para o final de semana em seu país. Desde que chegou ao Brasil, na semana passada, Enrique praticamente não apareceu. Deixou bem claro para sua assessoria de imprensa que não gostaria de fazer figuração em programas (como Rubens Barrichello, que há dois anos foi entrevistado pelo Louro José), nem de se expor demais. Na terça-feira, ele deu entrevista com os outros pilotos brasileiros na coletiva da Bridgestone. Quarta-feira, enquanto Felipe Massa foi ver a exposição de Pelé no Masp e brincar no parque Hopi Hari, seguido por um batalhão de repórteres, Enrique ficou no hotel descansando e nem apareceu no autódromo. Na semana em Interlagos, o único compromisso que ele teve foi a gravação de uma vinheta para a Rede Globo mostrando como um piloto de F-1 se veste antes de entrar no carro. "Eu tenho que descansar mais que o Rubinho e o Massa, até porque minha equipe não é tão boa quanto a Ferrari e a Sauber. Meu carro não tem volante hidráulico como o deles e eu me canso bem mais para dirigir.Vou me cansar muito no final de semana", diz ele. O piloto garante que não tem ciúmes do assédio de mídia e público sobre Rubinho e, principalmente Felipe Massa, que só fez duas corridas na categoria até agora. "Não penso nesse tipo de comparação. Até porque minha equipe não pode ser comparada com a deles", diz. Histórico - Bernoldi estreou no ano passado na F-1 na Arrows. Até agora, fez 19 corridas e não conseguiu grandes resultados. Sua melhor posição de largada até hoje foi um 15º lugar na Áustria. Não fez nenhum ponto. O máximo que conseguiu foi um oitavo lugar em Hockenheim no ano passado. Os poucos minutos de fama que Bernoldi conseguiu na F-1 até agora vieram quando ele segurou dois tubarões da categoria. Em Mônaco, no ano passado, ficou mais de 40 voltas na frente de David Coulthard, que fazia corrida de recuperação. Argumentou que estava defendendo sua posição, mas foi alvo da ira dos chefes da McLaren. Na última prova, na Malásia, segurou Michael Schumacher por algumas voltas e chegou a devolver uma ultrapassagem que tinha tomado do alemão. Este ano, tem como companheiro de equipe o alemão Heinz-Harald Frentzen. "Ele já foi vice-campeão mundial e ganhou várias corridas. Eu ainda estou buscando meu primeiro ponto. Mas tenho que me comparar com os resultados que ele consegue na equipe." Por ter um estilo mais aguerrido, Bernoldi é um dos pilotos preocupados com a mudança nas regras da F-1, que agora prevêem a possibilidade de punição para pilotos que sejam considerados culpados em acidentes durante a corrida. "É preciso ter cuidado com isso. Concordo que estava sendo necessária esse tipo de punição, se não ia acabar acontecendo alguma coisa muito grave. Mas é preciso ter critério, se não muitas punições serão injustas e os pilotos vão ficar com medo de se envolver em disputas. Isso é necessário na F-1", diz. O medo de Enrique é que a F-1 se torne certinha demais. "Eles já acabaram com outra das pistas de alta, em Hockenheim. Aquela era uma das corridas mais espetaculares da temporada por causa da alta velocidade e dos pontos de ultrapassagem nas retas, que eram bem longas. Naquele tipo de corrida se mostra a diferença entre os homens e os meninos. Vai acabar virando tudo como Budapeste, onde tem aquele trenzão de carros, uns atrás dos outros, sem ultrapassagem."

Agencia Estado,

28 Março 2002 | 18h01

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