Bocha: a grande arte dos Barrichello

Rubens Barrichello será homenageado na Itália na próxima semana. Não se trata de um reconhecimento pelo bom trabalho na Ferrari, mas por sua "grande contribuição para o desenvolvimento da bocha." O premiado, claro, também não é o piloto de Fórmula 1, mas o seu avô que, aos 73 anos, mantém-se ativo como nunca no esporte que o levou a vários títulos paulistas, brasileiros e sul-americano. Nesta quarta-feira o "nonno" viajou com o filho, Rubens Barrichello Júnior, pai de Rubinho, e Rubens Gonçalves Barrichello, o piloto da Ferrari, para a Hungria."É a primeira vez que vou ver o meu neto correr fora do Brasil", afirmou, entusiasmado com a oportunidade. Já Rubinho lembrou: "Uma quarta geração dos Rubens Barrichello está começando a nascer." A sua esposa, Silvana, está grávida de sete meses.Rubinho estava mais orgulhoso do nonno que o nonno do neto. A Confederação Italiana de Bocha, cujos filiados venceram os 12 mundiais disputados até agora, decidiu oferecer a Rubens Barrichello o "Oscar delle Bocce", ou o Oscar da Bocha. O evento, em Ancona, servirá também para o acerto de vários detalhes ainda pendentes visando o Mundial de Bocha que será realizado em 2002 em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, o primeiro no Brasil. O nonno é o diretor da área internacional da Confederação Brasileira."Se não fosse ele e meu pai a saírem atrás de patrocinadores eu hoje não estaria aqui", comentou o piloto enquanto jogava baralho, tranca, com os dois, na sala VIP do aeroporto de Frankfurt, prestes a embarcar para Budapeste. E a alegria do piloto era ainda maior porque, segundo comentou, Hungaroring é um circuito onde, tudo indica, a Ferrari vai se dar bem. "Só não sabemos ainda se a Michelin (fornecedora de pneus da Williams) vai aprontar alguma surpresa, mas de qualquer forma a pista é muito boa para o nosso carro." A McLaren não pode, no entanto ser esquecida. "Ano passado o Michael largou na pole position, só que durante as 77 voltas da corrida o Mika Hakkinen impôs um ritmo que ninguém conseguiu acompanhar." Hakkinen venceu com Michael em segundo, sete segundos atrás. David Coulthard, McLaren, ficou em terceiro e Rubinho em quarto.Folga - O período de três semanas de folga que todos os pilotos tiveram, por conta da proibição de testes no período, já recebeu a aprovação de Michael Schumacher, terça-feira, e nesta quarta-feira foi a vez de Rubinho avaliá-la. "As pessoas não têm idéia do que é disputar um grande prêmio e já dois dias depois estar treinando, direto." O momento é especial para o piloto, como o definiu. "Conseguimos reunir pela primeira vez fora do País três gerações da família." O nonno já esteve na Europa em muitas outras ocasiões, mas sempre como técnico da seleção brasileira de bocha ou dirigente da confederação."Ele ia correr na Alemanha e eu estava na Itália. Outra vez a prova foi não sei onde e eu me encontrava num país distante." O entusiasmo de Rubinho era evidente em ter o nonno ao lado. "Sempre falei que a Fórmula 1 aqui na Europa é diferente da que ele acompanha em Interlagos", disse. "Temos os motorhomes, a estrutura toda, é outra coisa." Espremido entre o sucesso dos dois, Rubens Barrichello Júnior, o Rubão, afirma não se incomodar diante do reconhecimento público de ambos em suas atividades."Eu também jogava bocha", conta. "E muito bem mesmo", lembra o nonno. "Só que alguém tinha de administrar as carreiras deles, não é?" O pai de Rubinho diz que precisou cuidar dos negócios da família e passou a praticar o esporte apenas como um hobby.O nonno e Rubão poderão já a partir de sexta-feira acompanhar o desempenho de Rubinho no GP da Hungria, quando começam os treinos livres da 13.ª etapa da temporada. "O campeonato? Não tem como o Michael perdê-lo", aposta Rubinho. O alemão e a Ferrari podem ser campeões já no domingo.

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