Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Bolsonaro anuncia GP do Brasil no Rio em 2020 e novo autódromo pronto em até 7 meses

Segundo afirmou o presidente da República, a obra será feita 'sem nenhum dinheiro público'

Ciro Campos, Denise Luna e Rafael Franco, Estadão Conteúdo

08 de maio de 2019 | 13h26
Atualizado 08 de maio de 2019 | 16h47

Em solenidade na qual assinou em conjunto com o governador do Rio, Wilson Witzel, e o prefeito Marcelo Crivella nesta quarta-feira pela manhã um termo de compromisso para construção de um novo autódromo na capital fluminense, no bairro de Deodoro, na zona oeste da cidade, o presidente da República, Jair Bolsonaro, anunciou que o GP do Brasil de Fórmula 1 será realizado no Rio de Janeiro a partir de 2020. 

Os organizadores do GP Brasil se manifestaram nesta quarta-feira e lembraram que ainda há um contrato em vigor. Apesar disso, Bolsonaro deu a entender que a edição de 2019 da corrida, marcada para ocorrer no dia 17 de novembro, deverá ser a última na capital paulista após um ciclo de 30 anos seguidos tendo como palco o Autódromo de Interlagos. A partir daí, segundo ele, o Grande Prêmio acontecerá no Rio, em um autódromo que ainda será construído e que receberá o nome de Ayrton Senna.

"A direção da Fórmula 1 resolveu, após o resultado das eleições do ano passado, tendo em vista quem foi eleito, na região que interessava pra eles (dirigentes da categoria), manter a possibilidade de termos a Fórmula 1 no Brasil. Em São Paulo, como havia participação pública e uma dívida enorme, tornou-se inviável a permanência da Fórmula 1 lá. Então, vieram para o Rio de Janeiro e o novo autódromo será construído em seis, sete meses, após o início das obras", afirmou o presidente da República, para depois assegurar que a prova brasileira ocorrerá na capital fluminense já em 2020.

"De modo que, por ocasião, a Fórmula 1 do ano que vem será realizada no Brasil e, no caso, no Rio de Janeiro. São milhares de empregos, o setor hoteleiro feliz com toda certeza. Serão sete mil empregos diretos e indiretos que permanecerão para sempre. Ou seja, ganha o Rio de Janeiro, ganha o Brasil", completou Bolsonaro.

Segundo Bolsonaro, a obra com previsão de conclusão em até sete meses será feita "sem nenhum dinheiro público". O autódromo será construído em um terreno do Exército, que alguns políticos cariocas afirmam ser uma reserva ambiental. De acordo com o presidente, "o Exército preservou a área" e a obra vai gerar milhares de empregos diretos e indiretos e muitos permanentes.

O antigo autódromo do Rio de Janeiro, localizado em Jacarepaguá, também na zona oeste da cidade, que recebeu provas de Fórmula 1 na década de 1980, foi desativado em sua totalidade para a construção do Velódromo, utilizado nos Jogos Olímpicos de 2016.

Nesta quarta-feira, o presidente confirmou a ida da F-1 para o Rio a partir do próximo ano após participar de um evento que serviu para homenagear os soldados brasileiros que combateram na II Guerra Mundial. O chefe de Estado se encontrou com Witzel, Crivella, membros da Confederações Brasileira de Automobilismo (CBA) e representantes do consórcio responsável pelo projeto de construção do novo autódromo da cidade. E, de acordo com o prefeito do Rio, o autódromo se chamará Ayrton Senna, após o nome do tricampeão mundial de F-1, morto em 1994, ser sugerido por Bolsonaro.

Pela manhã, um dos filhos de Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), comentou no Twitter sobre a assinatura do termo de compromisso. "A F-1 deixaria o Brasil, mas após a eleição de Jair Bolsonaro tomaram a decisão não só de permanecer mas de construir um novo autódromo no Rio de Janeiro", escreveu, dando a entender que a permanência da prova brasileira no calendário da Fórmula 1 dependeria deste acordo para a capital fluminense passar a substituir São Paulo como sede da corrida.

Desde a demolição do antigo autódromo de Jacarepaguá, o Rio busca viabilizar uma nova pista para receber categorias internacionais de automobilismo. Em 2017, a prefeitura do Rio abriu o Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) para receber propostas sobre a construção do novo circuito. O consórcio Rio Motorsport apresentou um projeto no valor de R$ 700 milhões para construir uma pista em Deodoro. O objetivo é realizar a obra com recursos privados, com a concessão do espaço por 35 anos.

Nos últimos meses o lançamento do edital da obra travou. O Tribunal de Contas do Município (TCM) recomendou a alteração de 138 pontos no texto do projeto e encaminhou essas mudanças à prefeitura. Na Câmara dos Vereadores a ideia do novo autódromo encontra resistência, já que há um debate para se criar uma Área de Proteção Ambiental (APA), na Floresta do Camboatá, local que receberia o novo autódromo.

No mês passado, Witzel, Crivella e Bolsonaro receberam correspondências de dirigentes da Fórmula 1. O diretor de operações da categoria, Sean Bratches, oficializou o interesse da categoria de promover o GP no Rio nos próximos anos. Em novembro de 2018, o novo chefe da F-1, Chase Carey, visitou o Rio e conversou sobre o projeto do autódromo. O desenho da pista é assinado pelo arquiteto alemão Hermann Tilke, que é responsável por conceber outras pistas da categoria, com as de Cingapura, Bahrein e Abu Dabi.

Por outro lado, São Paulo tem contrato para receber o GP do Brasil de Fórmula 1 até 2020. A prefeitura da cidade, assim como a Interpub, promotora do GP, garantem que as negociações para renovar o acordo já foram iniciadas. Interlagos recebe a corrida ininterruptamente desde 1990, quando substituiu justamente o Rio de Janeiro no calendário da F-1. Com o anúncio feito por Bolsonaro nesta quarta-feira, porém, a capital fluminense deverá voltar a abrigar a prova brasileira a partir de 2020.

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