Brasil começa no pódio em 2001

Diante do excelente trabalho de sexta-feira, em que foi o mais rápido do dia, e o belo tempo no sábado, garantindo-lhe o segundo lugar no grid, o terceiro lugar de Rubens Barrichello, neste domingo em Melbourne, não deixou de ser frustrante para a torcida. Esperava-se mais dele. "O toque com o Heinz-Harald Frentzen (Jordan), na terceira volta, desalinhou minha Ferrari e nas curvas para a direita passou a sair muito de frente." Ele passou o alemão para ficar em terceiro.Curiosamente, seus tempos de volta mostram que a Ferrari não estava tão ruim assim. Até perder o segundo lugar para David Coulthard, da McLaren, na 33ª volta, estiveram sempre entre os melhores. E foi nessa volta que ele registrou a terceira melhor marca do GP da Austrália, com 1min29s060. O mais veloz foi Michael Schumacher, 1min28s214, uma volta mas tarde. Já na largada, porém, Rubinho não manteve-se à altura do que havia feito nos dois dias anteriores. "Primeira prova do ano, estava um pouco ansioso, as coisas não saíram como deveriam", explicou. Ele caiu de segundo para quinto.Enquanto manteve Coulthard atrás de si, o ritmo de Rubinho não diferia muito do de Schumacher, o líder. Na 32ª volta, uma antes de perder o segundo lugar para Coulthard, Rubinho estava a 10 segundos e 813 milésimos do alemão. Mas quatro voltas mais tarde, na hora que Schumacher fez seu pit stop, essa diferença subiu para 17 segundos e 356 milésimos.Atingido moralmente talvez por ter sido ultrapassado, perdeu cerca de 7 segundos em quatro voltas. Rainero Giannotti, seu preparador-físico e psicológico, comentou ano passado que precisava trabalhar esse aspecto do piloto: "Fazer com que ele possa dar tudo de si durante um período maior da prova." Já Luciano Burti, da Jaguar, apresentou retrospecto oposto ao de Rubinho no fim de semana. Enquanto na sexta-feira ele cometeu alguns erros, ao não conseguir se aproximar muito dos tempos do companheiro, o experiente Eddie Irvine, neste domingo Burti esteve acima das expectativas dos homens da Jaguar, ao completar a corrida, sem errar, na oitava colocação. Irvine ficou em 11º. Burti parecia estar sentindo também, no primeiro dia e até no sábado, a sombra de Pedro de la Rosa, já de contrato assinado com a Jaguar para correr na próxima temporada, enquanto neste ano fará testes."Sinto-me bem mais tranquilo", falou neste domingo, depois de receber cumprimentos de toda a equipe, quase que admitindo as causas do desconforto dos dois dias anteriores. Ele foi o piloto melhor classificado com pneus Bridgestone. "O mais importante foi que passei a usar os mesmos freios do Eddie e o carro mudou completamente, para melhor. Isso me permite acreditar que na Malásia a história será bem diferente daqui." Enrique Bernoldi passou dois anos na Fórmula 3000 comprovando seus dotes de velocidade e, ao mesmo tempo, seus dotes de descontrole emocional. Neste, na estréia na Fórmula 1, pela equipe Arrows, manteve a tradição. Já na terceira volta do GP da Austrália ele colocou a roda traseira direita na grama, na saída de uma curva, rodou e foi bater de leve no muro do outro lado."Tinha conseguido melhorar o carro no warm-up e me entusiasmei um pouco com sua velocidade", disse. Tarso Marques também esteve pouco tempo na pista. Sua Minardi teve problemas elétricos, cortando o motor ainda na quarta volta. "O maior problema desse carro são os seus freios. Só funcionam na traseira." Enquanto a Arrows treinará com Johnny Herbert em Silverstone, já a partir de segunda-feira, a Minardi, por não ter o terceiro carro, não terá como tentar resolver suas dificuldades.

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