Brasil terá "dois pilotos e meio" no grid

Quando o diretor de prova da Fórmula 1, Charlie Whiting, autorizar a largada do GP da Austrália, à meia-noite deste sábado (pelo horário de Brasília), o Brasil estará representado na corrida de abertura da 56ª temporada da Fórmula 1 por "dois pilotos e meio". Afinal, além de Rubens Barrichello, na Ferrari, e Felipe Massa, na Sauber, metade do patrimônio genético do português Tiago Monteiro, da Jordan, é brasileiro. Sua mãe, Isabel Marina da Costa, é de Belém do Pará. "Ainda tenho parentes no Brasil, em São Paulo, Rio de Janeiro e Manaus. Este ano, na época da corrida de Interlagos, talvez vá com minha mãe a Belém, que não conheço", disse o piloto português de 27 anos, que já esteve muitas vezes no País. "Quando pequeno e depois mais tarde. Recentemente, disputei as corridas de Fórmula 3000 em Interlagos, que por sinal adorei." Sua relação com os brasileiros se estendeu também no campo profissional. "Corri ano passado pela equipe do Emerson Fittipaldi, na Cart, nos Estados Unidos. Aprendi muito com ele, pena o time não ter recursos e fechar", contou Tiago Monteiro. O português falado por Tiago Monteiro não traduz o característico sotaque lusitano, resultado da influência da mãe paraense e das suas andanças pela Europa. "Morei em Portugal até os 6 anos e, a seguir, 11 anos em Paris", revelou. Seu nome não aparecia em nenhuma lista de candidatos para correr na Jordan, recém-adquirida pelo russo Alex Schnaider, do grupo Midland, da área de produção de aço. "Eu corri na World Series, na Espanha, pela equipe de Trevor Carlin. O Schnaider convidou o Carlin para dirigir seu time de Fórmula 1 e ele, por sua vez, me chamou", explicou Tiago.Mas tanto Tiago Monteiro quanto o próprio Schnaider imaginavam iniciar o projeto de Fórmula 1 apenas em 2006. Só que, ao ficar sabendo que teria de fazer um depósito de caução à FIA de US$ 48 milhões, como escuderia nova, tornou-se muito mais barato e prático gastar US$ 50 milhões para adquirir a Jordan. Com esse dinheiro, Schnaider pagou as dívidas da Jordan, estimadas em quase US$ 40 milhões, e depositou na conta do seu ex-proprietário, o irlandês Eddie Jordan, os US$ 10 milhões restantes. "O Schnaider e o Carlin estão refazendo tudo na Jordan. O que temos disponível foi feito às pressas, quase não testamos. Nossa preparação está bem atrasada em relação às demais equipes", admitiu Tiago.A contratação de Tiago só foi possível por causa do patrocínio da empresa portuguesa de petróleo, a Galp, provavelmente por conta da influência do pai, Edmar Monteiro, importante empresário do ramo de hotelaria e mobiliário. O investimento estimado é de US$ 8 milhões. Diante de tão poucas possibilidades de resultados, pela falta de estrutura da Jordan, ao menos hoje, o que esperar da sua primeira temporada na Fórmula 1? "Mostrar que tenho lugar aqui, crescer com a equipe. O Schnaider não veio brincar", avisou Tiago.

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