Brasileiros muito bem de novo na F-1

Poucos pilotos são capazes de manter-se por dez anos na Fórmula 1. Quando ocorre, em geral já não produzem mais como nas suas primeiras temporadas. O caso de Rubens Barrichello, no entanto, demonstra o oposto. O seu desempenho este ano, o décimo no Mundial, é o melhor de todos os demais. Barrichello disputou neste domingo em Silverstone uma das melhores corridas das 157 que já participou. Depois de largar em último, por causa de um problema no sistema automático de largada, ele chegou em segundo. "Esse resultado tem sabor de vitória", disse o piloto da Ferrari. "Acho que nunca tive tanta emoção na Fórmula 1, nem quando venci em Hockenheim, (em 2000) partindo também lá de tras." A exemplo do que se passou no GP da Espanha, em Barcelona, Barrichello ficou parado no grid, na segunda colocação, na volta de apresentação. "Não sei ainda o que é. Pelo nosso sistema eu devo engatar a primeira marcha, apertar um botão e acelerar tudo que o restante ele faz sozinho", explicou o piloto. "Só que de repente o motor morreu." Manter a calma naquele momento foi fundamental, como descreveu. "Acho que foi Deus. Eu cancelei a operação anterior, comecei tudo de novo e o motor pegou." Na prova de Barcelona Barrichello sequer chegou a largar. Ao final da primeira volta Barrichello já estava em 14º. Nada menos de seis adversários foram ultrapassados por ele. O piloto da Ferrari ganhava posições a cada passagem até chegar ao terceiro lugar, na 16ª volta de um total de 60. Duas voltas depois, Barrichello deixou Juan Pablo Montoya, da Williams, para trás na curva Woodcote e assumiu a segunda colocação, a 12 segundos e seis décimos do líder, Michael Schumacher, companheiro de Ferrari. "Esses pneus intermediários da Bridgestone são fantásticos", disse. Desde a primeira volta já caía uma leve chuva sobre o autódromo de Silverstone. Outro momento de elevada técnica e arrojo aconteceu na 41ª volta, quando Barrichello, que havia parado para substituir os pneus intermediários pelos para asfalto seco, porque a chuva parou, reultrapassou Montoya, que ainda mantinha os intermediários da Michelin, muito criticados pelo colombiano. Foi na entrada da veloz curva Copse, depois da reta dos boxes. "Qualquer hora nós vamos bater, dizíamos ainda neste domingo pela manhã. Estamos andando muito próximos nas corridas." E esse acidente quase ocorreu. Eles não tocaram rodas por poucos centímetros. Os dois pilotos são grandes amigos. Os riscos elevados assumidos por Barrichello o levaram a rodar na 31ª volta, na curva Bridge. Mas o motor continuou funcionando e ele retornou à competição, sem perder posições. Com o segundo lugar Barrichello passou à vice-liderança do campeonato, com 32 pontos, diante de 31 de Montoya e 30 de Ralf Schumacher, da Williams, oitavo colocado neste domingo. "Eu estou pensando mais em vencer mais corridas este ano, que é bem legal, e menos no vice." Barrichello obteve o terceiro pódio seguido e o quarto nas cinco últimas etapas realizadas. A pergunta mais frequente que os estrangeiros fazem na Fórmula 1 é: o que aconteceu para Barrichello tornar-se, ao lado de Michael Schumacher, o melhor piloto do Mundial? Massa e Bernoldi - Se Barrichello é um especilista na chuva, Felipe Massa, da Sauber, ainda que o asfalto molhado também lhe agrade, mostrou na prova deste domingo que tem muito a aprender: Massa rodou nada menos de cinco vezes. Foi sua primeira experiência de Fórmula 1 na chuva. Ele terminou em nono, mas chegou a estar entre os seis primeiros. "Na largada eu estava muito mais veloz que o Villeneuve e para ultrapassá-lo tive de colocar duas rodas na grama, o que me fez rodar", contou. "Depois fiquei nervoso e acabei cometendo outros erros." Massa fez um pit stop a mais que o companheiro, Nick Heidfeld, sexto colocado. "Meus pneus traseiros, intermediários, acabaram quando a pista começou a secar e fui obrigado a substituí-los." Seus tempos de volta, contudo, eram regularmente melhores que os de Heidfeld.Enrique Bernoldi, da Arrows, largou em 18º. No final da primeira volta era o 12º e chegou a estar entre os seis melhores também. Aí a equipe fez a sua parte. "Quando começou a chover mesmo, na 13ª volta, chamaram o Frentzen para trocar pneus (companheiro na Arrows) e eu tive de dar uma volta com pneus para pista seca embora houvesse já muita água no asfalto." Bernoldi perdeu várias posições. Na 26ª volta, o engenheiro Graham Taylor, que além de chefe da equipe é o técnico de pista de Frentzen, ordenou que colocassem pneus para tempo seco na Arrows de Bernoldi quando começou a chover forte. "Tive de retornar aos boxes já na volta seguinte." Na passagem seguinte quebrou um semi-eixo e Bernoldi abandonou. "Tom Walkinshaw (sócio da Arrows) passou do meu lado e sequer foi capaz de olhar para mim", comentou o piloto.

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