Briatore abre o jogo: Renault quer Alonso sem pagar multa

O italiano disse acreditar que Ron Dennis está esperando terminar a temporada para ter uma definição

Livio Oricchio, Estadão

19 de outubro de 2007 | 18h49

O futuro de Fernando Alonso desperta tanto interesse em Interlagos quanto a definição do campeonato. E Flavio Briatore, chefe da Renault, comentou objetivamente a negociação com o bicampeão do mundo, que não tem ambiente para seguir na McLaren: "Nós não vamos pagar a multa (rescisória). Se a McLaren concluir não ser possível a convivência de seus dois pilotos no ano que vem, como é evidente, e liberar um deles no mercado, nós temos interesse em Fernando, não é novidade." Veja também:   Vídeo de Hamilton aos 12 anos de idade Dê uma volta pelo Circuito de Interlagos Classificação do Mundial   Você perdoaria Felipe Massa se ele abrisse mão da vitória no GP do Brasil para que Kimi Raikkonen fosse campeão? Hamilton é o mais rápido no 2.º treino para o GP do Brasil O dirigente italiano disse acreditar que Ron Dennis, diretor e sócio da McLaren, está esperando terminar a temporada, no domingo, para começar a definir o que fará com Alonso. "Nosso papel, agora, é aguardar." Nesta sexta, no paddock, eram fortes os rumores de que Dennis irá processar Alonso na justiça inglesa por lesar a imagem da McLaren e, conforme já adiantou, não facilitará em nada a saída do espanhol. Quem desejar tê-lo que pague a multa, estimada em US$ 30 milhões. Ao contrário do que se imagina, Briatore deixou claro que o salário elevado de Alonso (também de US$ 30 milhões) não é problema. "Reuni-me com nosso presidente (o brasileiro Carlos Ghosn), na semana passada, e recebi todo o apoio. A Renault é forte para pagar 20 vezes o que pretende Fernando, a questão não é dinheiro, mas não pagar a multa." Briatore dá a entender que seria não ético romper o contrato de Alonso com a escuderia de outra montadora, a Mercedes, sócia da McLaren. A relação entre Briatore e Alonso não acabou quando ele deixou a Renault, no fim do ano passado, para transferir-se para a McLaren. "Gostaria de lembrar que Fernando ainda é piloto da nossa empresa de gerenciamento. Por isso temos contato regular." Apesar da proximidade entre ambos, Briatore não concordou com a decisão do Conselho Mundial, que puniu a McLaren pela espionagem à Ferrari, e não Alonso e Lewis Hamilton. "Eles foram beneficiados com o que aconteceu, portanto deveriam ser punidos." Sobre o futuro de Nelsinho Piquet, piloto de testes da Renault, Briatore se esquivou. "Temos motivos para tê-lo conosco. Treinou menos que Heikki Kovalainen, por exemplo (o finlandês realizou 25 mil km de testes em 2006), por causa da limitação do regulamento, mas foi muito bem, é dedicado, gosta da parte técnica, sem dúvida tem algo especial. Temos tempo para decidir sobre nossos pilotos", disse, deixando claro que o futuro de Piquet está ligado à volta ou não de Alonso à equipe. O homem que fez da Benetton uma marca de sucesso nos Estados Unidos defende, agora, uma revolução no formato de disputa da Fórmula 1. "Essencialmente aumentar o show e reduzir os custos. Hoje é incrível o que se passa, precisamos da chuva para melhorar o espetáculo." A razão é simples, diz Briatore: "Demos muito espaço para os técnicos. A hora é de retomar o poder. Precisamos de menos aerodinâmica, criar mecanismos para vermos ultrapassagens, rever os circuitos e mudarmos de uma para duas corridas no fim de semana." Como será impossível obter unanimidade de aceitação do novo formato, Briatore manifesta seu espírito autoritário: "Necessitamos de um ditador iluminista. Bernie Ecclestone e a FIA devem ser ditadores democráticos."

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