Briatore tem carreira marcada por atitudes controversas

A demissão de Flavio Briatore, 58 anos, da Renault é o desfecho de uma carreira bastante controversa de um dos chefes de equipe mais polêmicos e odiados da história da Fórmula 1. Nos vinte anos de paddock, ele ganhou muito dinheiro e colecionou muitos inimigos.

MILTON PAZZI JR., Agencia Estado

16 de setembro de 2009 | 13h25

Briatore nasceu em 12 de abril de 1950, em Verzuolo, norte da Itália, filho de professores. Fez sucesso em diversas áreas comerciais e teve muitos amores glamourosos. Fala, além do italiano, inglês e francês. Fez fortuna quando se tornou executivo da transnacional de moda Benetton nos Estados Unidos, como sócio do fundador Luciano Benetton.

Em 1988, chegou à Fórmula 1 como executivo da Benetton Formula, quando a empresa de moda resolveu investir na categoria. Neste tempo, cresceu na equipe e na categoria tanto por competência - por formar Michael Schumacher, por exemplo - quanto por controvérsias.

A primeira polêmica aconteceu na assinatura do contrato Michael Schumacher, em 1991. Briatore tirou o alemão da Jordan, onde havia disputado uma única prova, e demitiu o brasileiro Roberto Pupo Moreno da Benneton.

O italiano deixou a equipe em 1997, quando a empresa americana passou a reduzir os investimentos na F-1. Neste período teve um bicampeonato mundial de pilotos (Schumacher, 1994 e 95) e um de construtores.

Em 1994, aliás, a Benetton foi suspensa após a FIA descobrir que a equipe não usava um filtro obrigatório no reabastecimento (que o tornava mais rápido). Soma-se ainda o uso de dispositivos eletrônicos proibidos no carro e a conquista do título de Schumacher após acidente controverso com o carro em Damon Hill no GP da Austrália.

Naquela época, Briatore tinha participação na extinta Ligier, que venceu o GP de Mônaco de 1996 com o francês Oliver Panis - ele era um dos donos, mas não podia exercer o comando por ser proibido pela FIA trabalhar em duas equipes.

Em 1997, afastado de suas funções nas duas equipes, passou a trabalhar na Mecachrome, divisão da Renault de motores esportivos. Foi pelas mãos da montadora que ele voltou à categoria, em 2000, como diretor geral.

A equipe mudou, mas as controvérsias, não. Em 2003, a entrada de Alonso na Renault foi polêmica pela demissão do inglês Jenson Button, que vinha de bons resultados. O espanhol tinha Briatore como gerente de sua carreira. Em 2004, foi a vez de o italiano Jarno Trulli ser demitido por não ter renovado com Briatore o contrato para que ele fosse seu empresário.

Em 2005 e 2006, Briatore voltou a comemorar títulos. Ele liderou a equipe na conquista do bicampeonato de Fernando Alonso. Neste mesmo período, estreitou as relações com Bernie Ecclestone, diretor comercial da Fórmula 1, e passou a ter negócios com o inglês.

Depois de um período que parecia sem tantas turbulências, Briatore voltou às manchetes na confusão com Nelsinho Piquet, outro com quem tinha contrato para administrar a carreira - ficava com 20% do salário, segundo o piloto. Ele demitiu o brasileiro da Renault após o GP da Alemanha. E viu tudo explodir quando surgiu a denúncia de manipulação do resultado do GP de Cingapura de F-1.

Fora das pistas, Briatore também foi manchete. Ele passou dois anos e meio nas colunas de fofocas da Europa por um tempestivo romance com a supermodelo inglesa Naomi Campbell e por ter um filho com a também supermodelo alemã Heidi Klum. Atualmente, ele é casado com a italiana Elisabetta Gregoraci.

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