Bridgestone investiga perda de pressão

Michael Schumacher e Rubens Barrichello foram prudentes, hoje, no Circuito da Catalunha, apesar da cara amarrada no fim da corrida. Evitaram ao máximo criticar a Bridgestone, sua fornecedora de pneus, mas a realidade é uma só: a Ferrari não é mais a equipe forte do ano passado principalmente por causa da pouca eficiência dos seus pneus. A questão foi colocada dessa forma para o diretor-técnico da Bridgestone, Hisao Suganuma. "É preciso compreender bem o que se passou com os pneus de Schumacher", disse. Seu consumo era aceitável, o que o fez abandonar a corrida (na 46.ª volta de um total de 66) foi a perda de pressão, primeiro no traseiro esquerdo e depois no dianteiro direito, e estamos já investigando o que houve." O responsável pelo desenvolvimento dos pneus japoneses, Hirohide Hamashima, também falou: "O que aconteceu aqui em Barcelona é diferente do problema que tivemos na Malásia. Nesta pista nós tínhamos performance na corrida e os pneus não se desgastaram tanto", explicou. "Nossa maior dificuldade foi na classificação." Hamashima assumiu que a pouca velocidade permitida nas tomadas de tempo condicionou a Ferrari a elaborar estratégias como as adotadas por Schumacher e Rubinho, permanecer o máximo possível na pista antes do primeiro pit stop, o que nem sempre colabora para a conquista de um grande resultado. "Os dois pilotos da Jordan concluíram o GP da Espanha, é uma prova de que não tivemos problemas de durabilidade no Circuito da Catalunha", lembrou Suganuma. Tiago Moteiro e Narain Karthikeyan, a dupla da Jordan, de fato recebeu a bandeirada, mas com apenas 63 voltas completadas, três a menos do vencedor, Kimi Raikkonen, da McLaren. Parte desse fraco desempenho foi creditado também por eles a Bridgestone. "Fiquei desapontado com os pneus, depois da nossa boa performance em Ímola, há duas semanas. O carro derrapava tanto de frente que era muito difícil pilotar, só no fim melhorou um pouco", contou Monteiro. A Bridgestone não está conseguindo desenvolver um pneu que permita a seus pilotos serem rápidos na classificação, onde se dá apenas uma volta lançada, e depois ao longo dos 305 quilômetros da corrida. A Michelin venceu as cinco etapas disputadas até agora, bem como obteve as cinco pole positions. E o que preocupa, agora, Schumacher e Rubinho, em especial, é que na próxima etapa do campeonato, dia 22, em Mônaco, ser veloz na classificação é imprescindível para conseguir lutar por um lugar no pódio, em razão das enormes dificuldades para se ultrapassar nas ruas do Principado. "Já a partir de terça-feira iremos trabalhar duro, em Fiorano, a fim de desenvolver pneus que permitam a nossos pilotos um bom lugar no grid, sem dúvida a preocupação maior em Mônaco", afirmou Hamashima. A Bridgestone, que tanta responsabilidade já teve nas muitas e brilhantes conquistas da Ferrari, desta vez está meio perdida. O histórico de situações semelhantes sugere que a solução não se dará a curto prazo, apesar da enorme mobilização e dos elevados investimentos dos japoneses.

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