Bruno Junqueira agrada patrão na Indy

Com certeza, o patrão gostou. Bruno Junqueira foi o mais rápido hoje nos treinos livres para o GP de Chicago de F-Indy, no Chicago Motor Speedway, circuito oval de propriedade de Chip Ganassi, dono da equipe onde o brasileiro corre. Ele fez o tempo de 23s714, na segunda sessão, durante a tarde. O segundo melhor foi o sueco Kenny Brack, da Rahal, líder da temporada com 84 pontos (23s731) e o japonês Tora Takagi, da Walker, cravou o terceiro tempo, com 23s766. A sessão que define o grid para o GP de Chicago ocorre amanhã, a partir das 15h30, horário de Brasília. "Acho que ele (Chip Ganassi) gostou. Fiz o melhor que pude. O carro está bom. Não está perfeito, pois ainda sai um pouco de traseira. Mas se adaptou bem à pista, que, acho, é a mais lisa de todas a que corremos??, disse Bruno, que obteve o tempo com o carro reserva, pois o motor do titular estourou durante o treino. A boa adaptação do carro à pista deixou o brasileiro, que sente a pressão de ter de sair-se bem na pista de seu exigente patrão, aliviado. "É que o treino de sexta-feira é fundamental. A gente acerta o carro para a classificação e a corrida. Além disso eu, que sou estreante na categoria, aproveito para aprender sobre as pistas.?? Não apenas Bruno, mas vários pilotos entendem que a decisão de proibir que as equipes da Fórmula Indy treinem durante o campeonato tornou os treinos de sexta-feira praticamente decisivos nesta temporada. Isso porque eles têm, a rigor, apenas as quatro horas das duas sessões livres para achar o melhor acerto tanto para a classificação como para a corrida. Ir mal na sexta significa, muitas vezes, problemas sérios no domingo. Sinal de que, sem uma boa estratégia e muita dose de sorte, como bandeiras amarelas em momentos favoráveis, é melhor começar a pensar no próximo GP. "O problema é que, diferentemente da F-1, por exemplo, nós não treinamos. Aí, ficamos com a obrigação de tirar o máximo da sexta-feira??, diz o brasileiro Roberto Moreno, da Patrick Racing. Ele lembra que, na F-1, as equipes, principalmente as grandes, costumam aproveitar as sextas para testar pneus, andar com o carro em configuração de corrida e outros detalhes visando ao domingo. Já as pequenas usam a oportunidade para fazer bons tempos, aparecer e agradar aos patrocinadores. Aí, vem o treino classificatório e a corrida, a "verdade é restabelecida??. Na Indy, a situação é diferente. "Essas quatro horas da sexta-feira são fundamentais. Temos de experimentar de tudo. O treino serve para que tenhamos uma base de que direção tomar. Se as coisas não vão bem na sexta-feira, é sinal de um fim de semana complicado??, entende Hélio Castro Neves, da Penske. Claro que, como lembra o escocês Dario Franchitti, da Green, as equipes tiveram oportunidade de treinar em todos os tipos de pistas durante a pré-temporada. "Com isso, todos já têm um acerto básico para cada tipo de circuito e sabem se vão andar bem ou não. Mas sempre é preciso melhorar ou, se for o caso, tentar acertar.?? Para Moreno, a sexta-feira é muito importante, mas não representa a última chance. "Mesmo que as coisas são saiam bem na sexta, ainda dá para corrigir o rumo do barco com muito trabalho. Mas se no sábado pela manhã você não conseguir mudar, aí fica difícil.?? Claro que há exceções, até porque o regulamento da F-Indy, com suas bandeiras amarelas que agrupam os carros, permitem à equipe que desenvolver uma tática de corrida inteligente e tiver um pouco de sorte dar o "pulo do gato??. Exemplo disso foi a vitória do australiano Scott Dixon, da PacWest, em Nazareth, após largar na 23.ª posição. E na última corrida, em Michigan, Patrick Carpentier era o 21.º no grid de largada e acabou ganhando. "Mas Michigan são 500 Milhas e aí o que importa não é a posição no grid e sim a resistência do equipamento e a tática de corrida??, diz Moreno. Outros brasileiros - Cristiano da Matta, da Newman-Haas, foi o sexto hoje (24s030). Hélio Castro Neves, da Penske, o 11.º (24s084); Christian Fittipaldi, da Newman-Haas, o 14.º (24s155); Roberto Moreno, da Patrick, o 15.º (24s192); Tony Kanaan, da Mo Nunn, o 17.º (24s202); Gil de Ferran, da Penske, o 19.º (24s243); e Maurício Gugelmin, da Pacwest, o 21.º (24s309). Gugelmin bateu forte na curva 2 no treino da tarde, foi retirado do carro com o pescoço imobilizado e levado ao centro médico. Mas o próprio piloto disse que não tem problemas maiores a não ser dores no joelho esquerdo e no tornozelo direito e deve treinar amanhã.

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