Divulgação/Indycar
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Bruno Junqueira não culpa Ryan Hunter-Reay por lhe tirar vaga

Brasileiro isenta o americano por ter perdido vaga no carro 41 da AJ Foyt para as 500 milhas

CLIFF BRUNT, AP

24 de maio de 2011 | 20h08

INDIANAPOLIS - Bruno Junqueira está aceitando a desistência de sua vaga no grid das 500 milhas de Indianapolis de 2011 melhor do que poderia se esperar. Talvez porque os problemas dos dois anos anteriores tenham lhe preparado o pior.

Em 2009 ele classificou o carro da Conquest Racing mas teve de ceder o lugar para o pole deste ano, Alex Taglini, porque o canadense tinha um patrocínio melhor. No último ano, Junqueira teve de esperar até Tagliani se classificar no Sábado porque a equipe FAZZT não queria correr o risco de não ter um carro reserva para o canadense no caso de algum acidente antes do treino classificatório. Tagliani conseguiu passar ileso e Junqueira usou o carro no domingo com um tempo que facilmente o teria lhe classificado no primeiro dia. Independente disso, Junqueira bateu na corrida e completou apenas sete voltas.

Neste ano, Junqueira se classificou em 19.º lugar para a corrida com o carro n.º 41 da AJ Foyt, mas Foyt e o dono da Andretti Autosport, Michael Andretti, fizeram um acordo na segunda que coloca o piloto americano Ryan Hunter-Reay no seu carro na corrida de domingo. Junqueira diz que estava tudo bem, enquanto circulava pela garagem da Foyt nesta Terça-feira.

"Minha mente está OK", ele diz. "Eu acho que eu fiz meu trabalho bem. Eu coloquei o carro na corrida numa boa posição, fui sólido no primeiro dia, e eu fiz o que eu podia". Esta é a terceira vez que Tagliani está envolvido no azar de Junqueira, e é a segunda vez que Hunter-Reay entra em seu lugar. Junqueira classificou o carro em um dia em 2009. Após dirigir por oito voltas no treino livre no segundo carro da Conquest, ele cravou uma velocidade que era boa para colocá-lo na última fila do grid.

Tagliani, piloto regular da Conquest naquele momento, achou que seu tempo seria suficiente para o sábado. Mas as condições da pista no dia seguinte eram melhores, e ele ficou fora. A equipe o colocou na pista para que garantisse seu lugar, mas ele teve problemas no final do treino classificatório. Hunter-Reay ficou com a última posição, enquanto que Tagliani poderia ter outra chance de se classificar. Ironicamente, Hunter-Reay estará dirigindo para a Foyt desta vez.

Neste ano, o companheiro Marco Andretti é quem tirou Hunter-Reay da corrida ao final da sessão de domingo. "Tem acontecido uma série de coisas e emoções nestes últimos dias", Hunter-Reay disse no comunicado da equipe Foyt. "Decisões comerciais e suporte corporativo é o que torna possível para os times competir, e isso é uma decisão comercial".

Isto é estranho e muito azar para um piloto que uma década atrás era um dos melhores no Indianapolis Motor Speedway. Junqueira fez a pole da Indy 500 em 2002 e liderou 32 voltas naquele ano antes de uma quebra de câmbio deixá-lo com o 31.º lugar. Ele terminou em quinto em 2001 e 2004. Junqueira diz que estava gostando de trabalhar com Foyt neste mês. Ele diz que a equipe lhe pagou para correr, contrariando a expectativa geral de que levara um patrocinador para poder entrar no carro.

"Foi a primeira vez que dirigi para eles e me deram uma grande oportunidade", ele diz. "Eles fariam melhor se me dissessem tudo o que aconteceu. Pelo menos me deram uma chance". Junqueira diz que Hunter-Reay é um bom piloto que não pode ser criticado pela transação. "Isto não é culpa dele. As pessoas estão criticando ele, mas ele não tem poder na equipe. Talvez ele tenha culpa por não se classificar. Talvez seja da equipe porque não lhe deram um bom carro. Ainda assim, ele é um piloto. Ele não se classificou. Mas vir para o meu lugar não é sua culpa".

Junqueira não disputa a temporada da Fórmula Indy, dirigindo atualmente na American Le Mans Series. Apesar de seu sucesso estar no passado, ele sente que poderia estar na Indy. Ele sente que alguns só estão lá por causa do apoio financeiro, o que lhe incomoda mais do que perder a vaga nas 500 milhas de Indianapolis.

"Isto é um pouco frustrante [perder a corrida], mas é mais frustrante para mim ver pilotos ruins em bons carros porque tem dinheiro e eu não tenho", ele diz. "Alguns caras sem talento estão em equipes realmente boas só porque tem patrocinadores bons", completa. (tradução por Milton Pazzi Jr.)

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