Bruno Junqueira pressionado na Indy

Bruno Junqueira ficou assustado com a maneira como seu ex-companheiro de equipe, Nicolas Minassian, foi demitido da equipe Chip Ganassi nesta semana. E percebeu o que pode lhe acontecer se não corresponder à expectativa do patrão. Por outro lado, terá agora a seu lado alguém mais experiente (Memo Gidley), o que já o faz pensar em fazer tanto sucesso quanto Juan Pablo Montoya. A nova dupla começou a trabalhar nesta sexta-feira, nos treinos livres para o GP de Portland, sétima etapa da temporada de Fórmula Indy, que será disputado domingo. O treino do qualifying está marcado para sábado, às 17h45 (horário de Brasília)."Isso dá insegurança, mostra que se ele sentir que não está bom, manda embora mesmo", disse o piloto brasileiro nesta sexta-feira. "Não gosto que isso aconteça, mas vou tentar ir bem para não perder o lugar." Como se ele já não se cobrasse o suficiente, agora descobriu que Chip Ganassi, o homem de poucas palavras que o contratou no final do ano passado, não espera sequer uma temporada por resultados.Quando Jimmy Vasser e Juan Pablo Montoya deixaram a equipe, Ganassi anunciou a contratação de dois pilotos jovens e sem nenhuma experiência nas pistas norte-americanas: Bruno e Nicolas, respectivamente, campeão e vice da Fórmula 3000 Internacional no ano passado. Parecia arriscado, mas quem revela Alex Zanardi (bicampeão da Indy) e Montoya (um título) tem credibilidade para isso.Não deu certo. Nas seis primeiras corridas do ano, Minassian marcou apenas sete pontos e cometeu barbeiragens incríveis, como a fechada que deu em Christian Fittipaldi em Milwaukee, quando tomava uma volta, fazendo os dois baterem no muro.Bruno não está sendo brilhante, mas já tem 23 pontos (12º lugar na classificação geral). Começou mal o ano, tanto que na primeira etapa, em Monterrey, rodou cinco vezes só no qualifying. Mas aos poucos está pegando o jeito.O fantasma de Montoya, que teve carreira parecida à sua até chegar à Indy, faz Bruno se sentir pressionado: "Tem muita gente falando que eu estou mal, que não estou mantendo os resultados que a equipe tinha. Só que ninguém fala que o Montoya terminou em nono o campeonato do ano passado. Eu peguei esse carro e, tirando as duas primeiras corridas, estou indo bem."Desde o início da temporada, Bruno nunca escondeu que gostaria de ter um companheiro de equipe mais experiente, que essa era uma desvantagem em relação a Montoya, que teve Vasser a seu lado. "Se tiver uma condição igual, vou fazer igual ao Montoya, não tenho a menor dúvida." Então, chegou a hora.Bruno, de 24 anos, ainda não teve muito contato com Memo, de 30. Mas a primeira impressão foi de que "é um cara gente fina".Gente fina, mas, aparentemente, não muito disposto a bancar o professor. "Nem tenho muito o que ensinar ao Bruno, ele deve ter corrido mais tempo do que eu. O que vamos fazer é trabalhar juntos. Hoje, após o treino, sentamos à mesma mesa, eu, o Bruno, o meu engenheiro, o dele. Assim, aprende-se mais rápido."Apesar de ser mais velho, faz tempo que o norte-americano Memo não participa de uma temporada regularmente - daí dizer que talvez Bruno tenha mais experiência. Ele não pilotava desde novembro do ano passado, quando disputou a última etapa da Indy, em Fontana, pela equipe Della Penna. "Estava nervoso no começo, com todos querendo fazer tempo e eu só tentando andar. Mas me senti bem." Memo ficou sabendo do convite na última terça-feira, quando checou os recados em sua secretária eletrônica, "como todo dia". Nenhum contrato foi assinado e sua permanência na equipe dependerá dos resultados. Mas o diretor Mike Hull afirma que o objetivo é mantê-lo até o final da temporada. Ele se recusa a admitir que a contratação de dois novatos tenha sido um erro e diz que a equipe precisava de um piloto que não fosse apenas talentoso, e sim que soubesse conversar com os mecânicos, participar de promoções... alguém mais completo.A idéia da equipe é dar suporte para que Bruno possa subir na tabela de classificação - o líder, Kenny Brack, tem 74 pontos. "Ainda achamos que podemos ganhar corridas", diz Hull, que admite ser muito difícil lutar pelo título. "Mas não vou dizer que é impossível." Para uma escuderia que foi campeã em 96, 97, 98 e 99, não é fácil ficar para trás.

Agencia Estado,

22 de junho de 2001 | 18h36

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