Burti se recupera bem de acidente

Luciano Burti passa bem. O piloto que sofreu um gravíssimo acidente domingo, no GP da Bélgica, continua internado na unidade de terapia intensiva (UTI) do Hospital Universitário de Liege e poderá, nesta terça ou quarta-feira, se desejar, transferir-se para algum outro local de sua preferência. A informação é do doutor Gary Hartstein, assistente do doutor Sid Watkins, médico-chefe da Fórmula 1. "Estou otimista. Sua evolução tem sido boa, penso que em poucos dias deverá deixar o hospital", disse Hartstein, que reside em Liege e permanecerá acompanhando o caso até a alta. O piloto tem escoriações, pequenos cortes e vários pontos edemaciados e escuros na face, provocados pelo impacto do seu capacete na barreira de pneus da curva Blanchimont do circuito de Spa-Francorchamps. Na quarta volta da corrida ele e Eddie Irvine, da Jaguar, se tocaram, ocasionando o acidente. Os pais de Burti, Luis Carlos e Vera, acompanharam o filho, nesta segunda-feira, desde que desembarcaram de São Paulo. Rubens Barrichello, grande amigo de Burti, permaneceu no hospital até a uma hora da madrugada desta segunda e, de manhã, já estava de volta para apoiar o amigo. Por volta das 15h30, Rubinho despediu-se de Burti com um cuidadoso abraço. "Tenho de ir embora, né? Continuar com essa nossa profissão, amanhã já preciso estar em Mugello, treinando", disse o piloto da Ferrari. Em seguida confirmou a Burti que depois da corrida de Monza, dia 16, retornará ao Brasil. "A mulher dele vai ter o nenê", contou Burti a sua mãe. Rubinho e Silvana esperam o primeiro filho. Esse e outros diálogos foram repassados à imprensa pelo assistente de Burti, Marcio Valente, presente ao seu lado desde o centro médico do autódromo. "Ele conversa normalmente, mas fala um pouco devagar por causa da medicação. Luciano se diz cansado e sinaliza dores no rosto e nas costas." O doutor Hartstein coordenou a execução de novos exames nesta segunda-feira e os resultados confirmaram os de domingo: "Não constatamos nenhuma fratura óssea ou lesão neurológica. Luciano tem apenas uma comoção cerebral decorrente da elevada desaceleração a que se submeteu no choque." E completou: "Ele não tem nem mesmo um único dente quebrado, ao menos que eu tenha visto", falou rindo. "Deram a vermelha (interrupção da prova) depois do acidente?" perguntou nesta segunda-feira Luciano a seu assistente. "Quem mais se acidentou além de mim? Só eu?" Outras perguntas que fez: "Demoraram para me atender? Só me lembro de tocar no Irvine e depois, quando acordei, já estavam mexendo em mim, no cockpit." Burti desejava saber mais da corrida: "E as Williams (as favoritas para vencer o GP da Bélgica)?" Quando lhe contaram que Ralf Schumacher ficou com o carro sobre os calços, no grid, enquanto os demais saíam para a terceira volta de apresentação, esboçou um sorriso. "No warm-up (treino realizado antes da largada) minha Prost melhorou muito. Eu estava bem mais veloz que o Eddie." A UTI do Hospital Universitário de Liege encontra-se no primeiro andar da torre 1 das muitas que se espalham numa bela e ampla área completamente arborizada, que mais lembra um parque muito bem cuidado que um hospital público. Segundo Valente, as instalações da sala de Burti são grandes, pouco comum para uma UTI, e há mais um senhor com ele. Os pais de Burti, visivelmente emocionados, não saíam do seu lado. "Que susto, meu Deus", disse o pai. Ele acompanhava a prova pela televisão, assim como o GP da Alemanha, no qual Burti voou sobre a Ferrari de Michael Schumacher na largada, em razão de o alemão ter perdido velocidade, por causa de uma pane na transmissão. Até esta segunda-feira a família ainda não havia decidido o que fará se Burti recebesse autorização para uma viagem. Ele mantém residência em Mônaco.

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