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Campeão da F-Renault 3.5, Magnussen só pensa agora na Fórmula 1

Dinamarquês define o título em Barcelona com duas vitórias

Livio Oricchio, Enviado especial - O Estado de S. Paulo

20 de outubro de 2013 | 15h30

NICE - O título já havia sido definido sábado. Com a vitória na primeira corrida da última etapa da Fórmula Renault 3.5 World Series, disputada no Circuito da Catalunha, em Barcelona, o dinamarquês Kevin Magnussen, de 21 anos recém-completados, garantiu a conquista do campeonato. E neste domingo Magnussen ratificou a fase excelente que atravessa ao vencer a segunda prova do fim de semana.A Fórmula Renault 3.5 e a GP2 são as categorias que nos últimos anos têm fornecidos quase todos os pilotos para a Fórmula 1.

Seu foco, agora, vai estar 100% na Fórmula 1. Integrante do programa júnior da McLaren, Magnussen tem boas chances de ser o companheiro do francês Jules Bianchi, na Marussia, em 2014, no lugar do inglês Max Chilton. O alemão Sebastian Vettel, da Red Bull, provável tetracampeão do mundo no próximo fim de semana, no GP da Índia, é o melhor exemplo de piloto formado na Fórmula Renault 3.5.

Ao final de 17 etapas, este ano, Magnussen, pilotando para a equipe DAMS, somou 274 pontos, o belga Stoffel Vandorne, da Fortec, 214, e o português Antonio Felix da Costa, da Arden, 172. Vandorne é do programa júnior da McLaren, também, e Felix da Costa, da Red Bull. Além de Magnussen, Felix da Costa, 21 anos, deve da mesma forma estrear na Fórmula 1 em 2014, no lugar de Daniel Ricciardo, na Toro Rosso.

O Brasil teve quatro representantes na Fórmula Renault 3.5 este ano. O melhor colocado foi André Negrão, de Campinas, da equipe Draco, décimo colocado com um pódio, na etapa de Paul Ricard, terceiro, com 51 pontos. Depois vieram Pietro Fantin, de Curitiba, pela Arden, com 12, Lucas Foresti, de Brasília, da Comtec, e Yann Cunha, Brasília, da AV, ambos sem pontos.

FILHO DE PEIXE...

Kevin é filho de Jan Magnussen, piloto de 40 anos de idade, ainda na ativa, no Campeonato Dinamarquês de Turismo. Sua carreira antes de chegar à Fórmula 1, em 1995, foi tão impressionante que levou Jackie Stewart, três vezes campeão do mundo, 1969, 1971 e 1973, a declarar quando o contratou para sua escuderia de Fórmula 1, em 1997: “Ele é o melhor piloto que surgiu depois de Ayrton Senna”.

Stewart parecia saber o que estava dizendo. Em 1994, Jan disputou o Campeonato Britânico de Fórmula 3 por seu time, Paul Stewart, gerenciado por seu filho mais velho, Paul, ex-piloto, mas sem sucesso. Naquele ano, Jan disputou 18 corridas de Fórmula 3 e venceu 14. O recorde no Britânico de Fórmula 3 pertencia a Senna que, em 1983, com a West Surrey Racing, de Dick Bennett, ganhou 13 provas. Até hoje o recorde de Magnussen não foi superado.

Na Fórmula 1, contudo, sua trajetória foi muito fraca. Disputou 25 Gps, sendo 1 pela McLaren, em 1995, e 24 pela Stewart, em 1997 e 1998, como companheiro de Rubens Barrichello. O dinamarquês marcou um único ponto, com o sexto lugar no GP do Canadá de 1998. Foi sua última largada num GP. O holandês Jos Verstappen o substituiu na Stewart. Enquanto Jan competiu na Stewart, Rubinho foi segundo em Mônaco, em 1997, quinto no GP da Espanha e no do Canadá de 1998, somando 10 pontos.

"Jan tem hábitos que não combinam com um piloto de Fórmula 1”, disse, na época, Stewart. O dinamarquês fumava em público e gostava de bebida alcoólica. Há um consenso na Fórmula 1 de que Jan poderia ter tido uma carreira muito distinta se aliasse o seu talento às exigências de treinamento, concentração e dedicação da Fórmula 1.

Pois tudo isso parece existir no seu filho, Kevin. Até agora tem se mostrado um piloto veloz e muito compenetrado no mundo ultraprofissional do automobilismo moderno. Se for confirmado como piloto da Marussia, apesar das importantes limitações da escuderia, sempre haverá como ratificar seu talento, como fizeram Fernando Alonso, Mark Webber, por exemplo, na Minardi.

Antes de ser campeão este ano na Fórmula Renault 3,5, Kevin foi sétimo na mesma competição, no ano passado, vice-campeão da Fórmula 3 Britânica, em 2011, terceiro no Campeonato Alemão de Fórmula 3, em 2010, vice-campeão da Fórmula Renault 2.0 em 2009, e campeão dinamarquês de Fórmula Ford, em 2008.

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