Reginaldo Leme, O Estado de S. Paulo

16 de maio de 2015 | 03h00

Se a primeira vitória de Nico Rosberg será capaz de quebrar o ritmo do companheiro Lewis Hamilton, que ainda é líder e com boa vantagem, a gente saberá apenas na próxima semana, quando a Fórmula-1 chegar a Mônaco.

Até a corrida da Espanha o alemão trazia no rosto e nas atitudes a expressão de um adversário derrotado pela ótima fase de Hamilton (quatro poles e três vitórias). Mas por ter conseguido dominar todo o fim de semana na pista de Barcelona, a confiança de Rosberg deve crescer, justamente às vésperas do GP em que no ano passado ele ganhou tudo. Fez a pole, venceu, recuperou a liderança e, mais do que isso, conseguiu desestabilizar Hamilton nas duas corridas seguintes, chegando a abrir 29 pontos de vantagem até a metade da temporada, a maior que Rosberg teve no ano, dando até a impressão de que poderia se manter na frente até o final do campeonato.

Durante aquela fase no ano passado, enquanto o alemão se manteve à frente no campeonato eu considerei um resultado anormal. Apesar de mais talentoso, Hamilton vivia dividido entre o seu lado celebridade e o de piloto campeão do mundo.

A tevê mostrou uma imagem do sábado em que Rosberg havia conquistado a pole e os dois subiam as escadas do local das entrevistas coletivas com o alemão rindo e zombando da cara fechada de Hamilton. O inglês estava convencido de que o companheiro havia errado de propósito na última volta do treino, um minuto antes do fim, forçando a interrupção da volta em que ele vinha ameaçando roubar a pole.

O momento era favorável a Rosberg, que acabou vencendo a corrida. Quem larga na pole em Mônaco só não vence se cometer um erro ou se os mecânicos se atrapalharem nas paradas de box.

A situação que os dois vivem hoje merece toda a atenção do torcedor. Hamilton tem uma vantagem significativa no campeonato (20 pontos), além de não ser mais aquele que permitia que o seu lado “mega star” invadisse a carreira do piloto. Mas Rosberg dominou a cena na corrida passada e chega a Mônaco, que é onde ele mora, em alta. Até seria bom que toda esta situação fosse capaz de botar fogo no campeonato. Vamos ver até onde vai o recuperado equilíbrio emocional de Hamilton e até onde vai a capacidade de Rosberg ressurgir na briga. Só isso já faz do GP de Mônaco o duelo mais esperado deste início de campeonato.

No mesmo dia de Mônaco haverá a 99ª edição da 500 Milhas de Indianápolis. Essa coincidência de datas é histórica. Na época em que o norte-americano Mário Andretti disputava as duas, algumas vezes ele teve de optar pela Indy (em 1976) ou pela F-1, como fez em 1979, quando defendia o título mundial conquistado em 1978. Em outros anos, enquanto disputou regularmente a F-1 (de 75 a 81), Andretti usava o seu prestígio junto aos organizadores das 500 Milhas, para que as datas não coincidissem. São essas duas provas que formam, junto com as “24 Horas de Le Mans”, o trio de competições mais importantes do automobilismo mundial.

O curioso dessa coincidência de datas é que várias vezes a gente assiste às 500 Milhas nos telões de um bar, tipo pub inglês, chamado “Stars & Bar” que fica ao lado da sala de imprensa do GP de Mônaco. Várias vezes já assisti junto com pilotos brasileiros da F-1, uma delas no apartamento onde morava Pedro Paulo Diniz, em companhia de Rubinho Barrichello e Tony Kanaan.

Aí está outra coincidência curiosa: na edição deste ano Tony estará completando 300 participações na Fórmula Indy. A “Indy 500”, como os americanos chamam a competição, já foi vencida sete vezes por brasileiros, desde Emerson Fittipaldi em 1989, que voltaria a vencer em 93. Tony Kanaan é o mais recente - ganhou em 2013. Gil de Ferran venceu em 2003 e Helinho Castroneves é tricampeão (2001, 02 e 09).

Durante esta semana de preparação, Helinho sofreu um acidente espetacular, o mais perigoso de sua carreira, com o carro decolando a mais de 300 km/h, batendo na cerca e caindo de ponta cabeça.

Helinho saiu do carro sozinho, sem ferimento, e voltou a treinar no mesmo dia. 

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