Carros da Stock vão mudar na marra

O violento acidente que Chico Serra sofreu domingo, na sexta etapa do Brasileiro de Stock Car, em Interlagos, cancelou o teste que ele deveria realizar, com as mudanças aerodinâmicas para deixar os carros mais seguros. Mesmo assim, a ABP (Associação Brasileira de Pilotos) insiste que é preciso implantá-las já na próxima etapa, dia 12 de agosto, no Rio - com ou sem teste. A categoria parece assustada."Vou me reunir hoje com os chefes de equipes. Na minha opinião não precisamos fazer esse teste. Alguém pode questionar se vai ter o efeito necessário, mas não tenho a menor dúvida. Vou propor detonar esse processo e fazer um teste coletivo antes da corrida", diz Mário Covas Neto, o Zuzinha, presidente da ABP.O projeto consiste na implantação de um extrator e um spoiler dianteiro mais longo, para aumentar a pressão aerodinâmica. O primeiro, usado em monopostos e na Nascar, serve para direcionar a passagem de ar embaixo do carro - passando mais rápido, ?puxa? o carro para baixo. ?Não vai voar peça?.São alterações significativas e as peças tinham sido adaptadas para o carro de Chico Serra. Como a adaptação leva "alguns dias", Zuzinha acha inviável fazê-la em outro carro a tempo de testar antes da etapa carioca. Mas não vê complicação. "Não tem nenhum problema. O fato de ser algo desconhecido pode exigir modificação, acerto. Mas não vai ameaçar a segurança, não vai voar peça. É um conceito aerodinâmico que já existe, só é novidade na nossa categoria."Zuzinha garante que "a palavra vai ser deles", referindo-se aos cinco representantes das equipes. Mas deixa claro que vai insistir: "Tenho minha opinião e quero que prevaleça."Ingo Hoffman vota a favor: "Concordo plenamente, em gênero, número e grau." O piloto que mais vezes foi campeão na categoria (11) e domingo comemorou 30 anos de carreira acha qualquer esforço válido para aumentar a segurança. E não acredita que a nova frente signifique um retrocesso da categoria, que fez grande alarde quando trocou o Omega pelo Vectra, no ano passado: "Talvez o erro tenha sido sair do projeto original, mas agora não vejo problema nenhum. É até um atrativo a mais."Pescoceira - Ingo concorda que uma corrida nunca é 100% segura: "Se fosse, talvez metade do público não estaria lá." Mas acha que os pilotos poderiam prevenir, por exemplo, com a pescoceira que ele usa - de espuma rígida, em forma de ferradura, com fecho de velcro atrás. "Se os caras que bateram no domingo usassem, teriam se machucado menos."Quanto às mudanças já implantadas em Interlagos (luz de alerta no teto, cinto de segurança com cinco pontos e chapas de 3 mm de espessura), o piloto aprovou: "Um mecânico do Chico disse que se não fosse isso ele teria se machucado mais."Carlos Col, diretor da Associação dos Pilotos, conversou com Chico Serra e explicou que ele não fará mesmo o teste, embora esteja bem: "O Chico ficará uns 10 dias de molho." O piloto, que ontem fez ressonância magnética, deve ter alta hoje do Hospital São Luiz. E acha que poderá correr no Rio. "Ainda estou com um pouco de dor no pescoço, mas até lá estarei novinho em folha." Até hoje, todos os pilotos hospitalizados devem ter sido liberados.

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