Cart e IRL correm na mesma direção

A Cart - Championship Auto Racing Teams - e a IRL - Indy Racing League - estão mais próximas. As duas entidades deverão anunciar, em outubro, um projeto comum para a disputa de algumas corridas de Fórmula Indy do ano que vem, apoiadas pelas fabricantes de motores. Toyota e Ford, que devem entrar na IRL em 2003, querem que os mesmos motores aspirados passem a equipar monopostos das duas categorias. Enquanto isso, Penske e Chip Ganassi estudam a participação em todas as provas da IRL de 2002.A Toyota já oficializou seu ingresso na IRL em 2003. O objetivo é fazer um motor eficiente para disputar as 500 Milhas de Indianápolis. A participação da Ford ainda não foi confirmada pela fábrica embora o departamento de competições já esteja estudando o projeto."Há um interesse grande dos fornecedores de motores e chassis para unificar o equipamento técnico da Cart e IRL. Esse seria o primeiro passo para uma reunificação depois, dentro de alguns anos", diz Felipe Giaffone, piloto que compete pela Hollywood/Treadway na IRL.Com um regulamento híbrido na Cart e IRL, o custo operacional das fábricas de motores cairia muito. Hoje, por exemplo, o leasing de um motor Honda turbo, campeão dea temporada 2000 com o Penske de Gil de Ferran, para as equipes da Cart custa cerca de US$ 3,5 milhões por temporada. Já uma equipe da Indy Racing League adquire os motores Olds por cerca de US$ 750 mil."Provavelmente, cada categoria poderia usar o mesmo motor em condições diferentes. A IRL, por exemplo, limita os giros em 10.700 além da exigência de um peso mínimo para limitar as experiências com materiais que encarecem muito os motores", diz Giaffone.A Toyota, inclusive, já teria comunicado à direção da Cart que se os motores aspirados não forem adotados a partir de 2003 ou 2004, ela deverá abandonar a categoria. Um dos motivos é que a tecnologia do turbo, hoje, é considerada superada pela maioria das fábricas.A Honda, concorrente da Toyota, diz o contrário. Ela só permanecerá na Cart se os turbos forem mantidos. Mas há quem afirme que ela deixará a categoria de qualquer forma. E, a partir de 2002, competirá com o logotipo da Mugen, a preparadora de motores.Em 2002, os motores Olds passarão a utilizar o nome de Chevy, que atua na mesma faixa de mercado dos Ford. E os Nissan continuarão recebendo investimentos para desenvolver os Infiniti, com o apoio do departamento de competições da Renault.Roger Penske, o mais respeitado construtor de carros de corrida dos EUA, está entusiasmado com a Indy Racing League depois que fez a dobradinha com Hélio de Castro Neves e Gil de Ferran nas 500 Milhas de Indianápolis, dia 27 de maio. "A IRL está excelente e muitos pilotos daqui poderiam estar competindo na Cart", disse o chefe de equipe.Hélio Castro Neves quer voltar a Indianápolis. "Ganhar diante de mais de 300 mil pessoas foi uma sensação que nunca tinha sentido. Correr em Indianápolis é uma experiência única na carreira de um piloto", explica. Helinho, entretanto, pretende continuar disputando o campeonato da Cart. "A qualidade dos carros é, inegavelmente, superior", justifica.O resultado poderá ser a presença da Penske com dois Dallara/Chevy em todas as provas do calendário da IRL de 2002, com o patrocínio de Miller Lite. Nas 500 Milhas, a Penske incluiria mais dois carros, com os pilotos da Cart, competindo portanto com quatro pilotos. A Chip Ganassi, que deverá ter a responsabilidade de desenvolver os motores aspirados da Toyota, analisa uma proposta semelhante a da Penske para o ano que vem. Ontem, a Chip Ganassi trocou o piloto francês Nicolas Minassian pelo americano Memo Gidley que passará a novo companheiro de equipe de Bruno Junqueira. Outra novidade seria a possibilidade de a IRL realizar, pela primeira vez, em 2002, uma corrida em circuito misto. O presidente Tony George, por enquanto, não comenta o assunto.Outro passo importante nesse sentido é a criação de uma categoria de acesso da IRL. A Indy Lights, principal opção para os pilotos que pretendem chegar na Fórmula Indy, está acabando por falta de investimentos e não conta mais do que dez carros este ano. A categoria ainda está em estudos. Uma das opções é utilizar chassi Lola e motor Zytec, como da Fórmula 3000. Mas outras opções estão sendo levadas em consideração. O plano é, principalmente, baixar os custos e colocar mais carros no grid. Hoje, uma temporada de Indy Lights custa cerca de US$ 1 milhão. O plano é fazer com que a nova categoria de acesso não supere o patamar de US$ 500 mil.Fazer das 22 provas da Cart e das 13 da IRL um único campeonato é uma idéia inviável para os dirigentes das duas categorias. Na prática, com o cancelamento das corridas de Jacarepaguá e Texas Motor Speedway, a Cart terá 20 corridas este ano. E a IRL acena com 16 provas em 2002. Mesmo assim, é impossível realizar um campeonato com mais de 25 etapas..A IRL corre apenas em circuitos ovais e todas as provas são disputadas nos EUA. Os pilotos brasileiros que competem na IRL são Felipe Giaffone e Airton Daré. No momento, as corridas não são transmitidas para o Brasil. Os direitos estão em fase de nova negociação. A Cart tem provas em ovais, mistos e circuitos de rua e, além dos EUA, compete no Canadá, Austrália, Japão e Brasil (cancelada este ano). E correrá pela primeira vez, em setembro, na Inglaterra e Alemanha. Os pilotos brasileiros da categoria são Gil de Ferran, atual campeão, Hélio Castro Neves, Cristiano da Matta, Christian Fittipaldi, Tony Kanaan, Roberto Moreno, Maurício Gugelmin e Max Wilson. A TV Record mostra todas as corridas ao vivo para o Brasil."Cada categoria tem contratos assinados com promotores. Alguns desses contratos valem por quatro ou cinco anos. Não poderiam ser rompidos, de uma hora para a outra " explica Willy Herman, do escritório Image, responsável pelos direitos da IRL no Brasil. Willy, no momento, está conversando com emissoras de televisão para fechar um contrato de transmissão da categoria para o Brasil nos próximos dois anos. A preferência é por uma rede aberta. A Bandeirantes transmitiu a IRL até as 500 Milhas de Indianápolis.Airton Daré lembra que a IRL poderá contar com 16 corridas no ano que vem. Uma das novas provas seria em Fontana, o autódromo de Roger Penske na Califórnia onde a Cart costuma encerrar a temporada. "Hoje em dia nem penso em sair da IRL. Aqui está ótimo e as perspectivas são ainda melhores", conclui Daré. O piloto do Team Xtreme tem informações de que a Cart estaria atravessando um período de dificuldades financeiras e, assim, a aproximação com a IRL poderia amenizar essa crise.

Agencia Estado,

21 de junho de 2001 | 09h12

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