Champanhe no pódio, mas de água de rosas

Apesar da maioria da população que vive no Reino de Bahrein ser muçulmana, o vencedor da primeira corrida de Fórmula 1 no Oriente Médio poderá, domingo, também estourar o champanhe no pódio. Não o tradicional, feita com o suco de uvas fermentado, mas um produzido a partir de romã e água de rosas, não alcóolico. "É uma forma de respeitar a tradição da Fórmula 1 e preservarmos nossa cultura", explicou, hoje no Circuito de Bahrein, o xeque Muhamed Al Khalifa, seu administrador. Nas temporadas de 1979 e 1980, o principal patrocinador da equipe Williams era a companhia saudita de aviação, tanto que o nome oficial do time era Saudia Williams. No campeonato de 1979, Alan Jones e Clay Regazzoni venceram cinco GPs e no seguinte, entre Alan Jones e Carlos Reutemann, outros seis. Em nenhum deles, porém, os pilotos puderam celebrar a conquista com o tradicional banho de champanhe. Era uma imposição do rei saudita a Frank Williams que, claro, a acatou. O alcorão, livro sagrado do islamismo, proíbe o consumo de álcool. Mas o Reino de Bahrein, no Golfo Pérsico, é uma ilha não só geográfica como cultural na região. Os minibares dos hoteis têm cerveja, whisky, dentre outros, à vontade, ficando a critério de cada um apreciar ou não as bebidas. O país é separado da Arábia Saudita por uma ponte e o caminho de lá para Bahrein é extremamente fácil. Basta os sauditas pagarem 5 dinares (US$ 13,30) para entrar numa nação onde as liberdades são muito maiores que em qualquer outra do golfo. Já o contrário, os sauditas exigem visto e são extremamente rigorosos em concedê-los. "A bebida que criamos para a comemoração do pódio chama-se waard", explicou o xeque. Hoje poucos pilotos demonstraram interesse em conhecer o novo circuito do calendário, com seus 5.411 metros. Cristiano da Matta, da Toyota, foi uma das exceções. "Gostei, mas me pareceu menos desafiador que a pista da Malásia. O asfalto é extremamente liso, uniforme, e o consumo de pneus deverá ser baixo, apesar dos 30 graus." Para o mineiro do time japonês, a Bridgestone, marca que fornece pneus para a Ferrari, pode, na teoria, estar em vantagem em Bahrein. "Eles constumam se dar bem nos traçados onde os pneus são menos exigidos." Ninguém da equipe, dos que estiveram no autódromo, quis comentar a notícia de que a Toyota estaria contratando Ralf Schumacher por cinco anos e um total de US$ 109 milhões. "Os japoneses podem ser tudo, menos burros", disse uma fonte da escuderia, desmentindo a informação publicada na imprensa inglesa, hoje. Já a mesma fonte não escondeu que se a Williams não se interessar por Scott Dixon, neozelandês de 23 anos, campeão ano passado na IRL, a Toyota pode entrar na disputa. Olivier Panis não deverá ter o seu contrato renovado com o time japonês. Amanhã todos os pilotos estarão no circuito. Os treinos livres começam sexta-feira a partir das 5 horas (horário de Brasília). A classificação, sábado, tem início com o treino de pré-classificação, às 7 horas, enquanto a corrida, domingo, em 57 voltas, será às 8h30. Bahrein está seis horas à frente do horário de Brasília.

Agencia Estado,

31 de março de 2004 | 17h54

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