Chefão da Fórmula 1 compra a Cart

O anúncio de que Bernie Ecclestone, o maior responsável pela Fórmula 1 transformar-se num fenômeno mundial de interesse e investimentos milionários nos últimos 30 anos, assumirá o controle da Championship Auto Racing Teams (Cart), entidade responsável pela organização da Fórmula Indy, competição que desde o início da sua internacionalização, há cerca de 10 anos, passou a concorrer com a Fórmula 1. "O anúncio deverá ser feito na prova de Fontana, última da temporada", disse hoje Bob Singleton, vice-presidente da Molson Sports, promotor de três etapas da Indy, Toronto, Vancouver e Montreal. "É certamente uma grande notícia depois de anos de más notícias", afirmou Singleton. O próprio Ecclestone confirmou no site da revista inglesa Autosport a negociação, enquanto a edição de hoje do jornal The Toronto Sun publica que o dirigente inglês de 72 anos adquiriu 51% da Cart. Cris Pook, outro inglês, diretor da Cart, deu o tom do que pretende Ecclestone com a surpreendente iniciativa: "Não vamos competir com a Fórmula 1, nosso produto é muito distinto." Ecclestone deseja fazer da Indy uma categoria de acesso à Fórmula 1, o que a Fórmula 3000, criada por ele mesmo em 1985, nunca conseguiu. Alguns dos campeões da Fórmula 3000, por não disporem de vaga na Fórmula 1, migraram para a Indy, como Juan Pablo Montoya e Bruno Junqueira. O momento para Ecclestone assumir a Cart não poderia ser pior para o empresário. Ela vive a maior crise da sua história e há até quem acredite que não irá sobreviver já em 2003. Suas principais equipes, como Penske, Chip Ganassi e Green optaram por correr na concorrente norte-americana, a Indy Racing League (IRL), criada pelo proprietário do circuito de Indianápolis, Tony George, para competir com a categoria. Outro golpe sofrido pela Cart foi a perda de seu principal patrocinador, a FedEx, que remontava ao campeonato de 1998. Para Bob Singleton, não há dúvida: "Ecclestone trará para a Cart a estabilidade que falta há anos." Sua primeira missão será atrair novas equipes para substituir as que deixaram a Indy. E não será surpresa se vários times que hoje competem na Europa, na própria Fórmula 3000, dentre outras categorias, se transferirem para os Estados Unidos, guiados pelos incentivos que Ecclestone certamente lhes oferecerá e a premiação rica que a Cart terá de providenciar. A grande dificuldade da Fórmula 3000 sempre foi a sua divulgação. A relação custo/retorno historicamente é desfavorável. Já um piloto que opte pela Cart terá uma exposição na mídia que com certeza a Fórmula 3000 não lhe oferece, além de, com as modificações técnicas e esportivas em curso, sua formação profissional tende a ser mais completa que na Fórmula 3000. Curiosamente, o anúncio de que os três bancos credores de Leo Kirch assumiram a parte do empresário alemão na holdind que detém os direitos da Fórmula 1, Slec, aproximou as montadoras, donas da maioria das equipes, de Ecclestone. Com a falência do grupo Kirch, os bancos Bayerische Landesbank, JP Morgan e Lehman Brothers, que lhe haviam feito o empréstimo para adquirir 75% da Slec, tomaram sua porcentagem na sociedade. Ecclestone tem os outros 25%. A notícia abre grandes perspectivas de as montadoras e Ecclestone renegociarem os termos da distribuição de verbas da competição, prevista para durar até 2007, e dessa forma essas empresas abandonarem o projeto de campeonato próprio, paralelo à Fórmula 1, a partir de 2008, como já anteciparam. Hoje a Slec fica com 53% do arrecadado e as montadoras, 47%. Em resumo: Ecclestone pode, e pelo curso dos negócios esse deve ser o desfecho da história, assumir definitivamente as duas principais competições de automóvel do mundo.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.