Manan Vatsyayana / AFP
Manan Vatsyayana / AFP

Chefe da Ferrari diz que decidiu trocar pilotos pensando no futuro da equipe

Charles Leclerc, de 20 anos, substituirá Kimi Raikkonen na escuderia italiana em 2019

Estadão Conteúdo

14 Setembro 2018 | 13h38

O chefe de equipe da Ferrari, Maurizio Arrivabene, revelou nesta sexta-feira que decidiu trocar o finlandês Kimi Raikkonen pelo monegasco Charles Leclerc para a próxima temporada da Fórmula 1 porque estava preocupado com o futuro do time italiano. O dirigente fez questão de destacar que a decisão não tomou por base as performances recentes do campeão mundial de 2007.

"É muito importante olhar para a perspectiva da equipe, em dois ou três anos. Na minha opinião, isso justifica suficientemente a nossa escolha", declarou Arrivabene nesta sexta, após a realização dos dois treinos livres que abriram o GP de Cingapura.

Com a decisão, o chefe da Ferrari fez uma troca de gerações dentro do time. Raikkonen vai completar 39 anos no próximo mês e é o mais velho do atual grid da F-1. Por outro lado, Leclerc tem apenas 20 e disputa neste ano sua primeira temporada na categoria.

"Não foi uma decisão olhando somente para a nossa situação atual ou para o próximo ano. Meu trabalho é olhar para o futuro do time, saber como vamos fazer evoluir um jovem talento e saber o que esperar dele no futuro", disse Arrivabene, referindo-se a Leclerc, que faz parte da academia de jovens pilotos da Ferrari.

A decisão anunciada no início desta semana surpreendeu porque Raikkonen vem em boa fase na temporada. Atual terceiro colocado no Mundial de Pilotos, o finlandês obteve seis pódios nas últimas sete etapas e nove nas últimas 13 corridas.

"Esta troca não tem nenhuma relação com o respeito que tenho por Kimi, que é muito grande como ser humano e como piloto. Se você precisa tomar uma decisão, pensando no futuro, nós tomamos a melhor decisão para nós e também para Kimi", declarou. "Eu fui informando ele sobre nosso processo de decisão e ele nem tentou dizer 'eu gostaria de mudar a sua decisão'", comentou.

Questionado sobre como o finlandês recebeu a notícia sobre a saída, Arrivabene ironizou. "Kimi estava tão nervoso e infeliz quando eu o comuniquei sobre a decisão que ele fez a pole position dois dias depois. Estamos falando de um piloto profissional, não de crianças no parque, ok?"

FUTURO

Ainda falando sobre perspectivas para a Ferrari, Arrivabene cogitou a possibilidade de contar futuramente com o reforço do jovem Mick Schumacher. O filho de Michael Schumacher tem 19 anos e ocupa no momento a segunda colocação na F3 Europeia. E pode vir a aparecer no time italiano, pelo qual o pai conquistou cinco dos seus sete títulos mundiais, no futuro.

"O mais importante é deixar ele crescer, sem qualquer pressão. Eu desejo a ele uma grande carreira. Com um nome como esse, a porta está sempre aberta, claro. Mas sem pular etapas. É preciso ir devagar. Depois vamos ver sobre o seu futuro. Como se poderia dizer 'não' em Maranello para um nome como esse?", declarou o chefe da Ferrari.

 

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